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March13

Trip | Serras da Moeda e do Cipó 17.03.10

 

 

A Serra da Moeda é uma cadeia de montanhas localizada no Quadrilátero Ferrífero, na porção Sul da Serra do Espinhaço. Foi em razão da fartura de metais preciosos que se deu a ocupação portuguesa nessas terras. Possuindo importantes Unidades de Conservação, como o MONA da Serra da Calçada e importantes trechos naturais, sobreviventes das atividades mineradoras, a Serra da Moeda é uma importante região para a conservação da flora e fauna. A Serra do Cipó também está localizada no Espinhaço e sua ocupação ocorreu quando desbravada por sertanistas paulistas que estabeleceram as primeiras fazendas. Passada a euforia inicial da busca do ouro a população da Serra do Cipó e do entorno dedicou-se à agricultura de subsistência, à criação de gado, à produção de cachaça dentre outros produtos. A altitude de ambas porções serranas varia de 700 a 1600m e a vegetação acima de 1000m é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente as Serras da Moeda e do Cipó são destinos procurados por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza. Nos dias 10, 11 e 12 de março recebemos os amigos Luciano Bernardes, sua mãe Diná Galdino e Ronaldo Garcia para um roteiro pelas Serras da Moeda e do Cipó.

 

Dia 01: Nos encontramos no Aeroporto de Confins às 08h30 e seguimos direto para a Serra do Cipó. Chegamos por volta das 10h e aproveitamos o restante da manhã para visitarmos a trilha da Mãe D’Água. Logo no início da trilha já conseguimos alguns lifers para o grupo. Dois indivíduos de guaracava-modesta (Sublegatus modestus) deram algumas boas chances de foto. Seguimos caminhando e encontramos dois beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus), sendo uma fêmea adulta e outro macho jovem, alimentando-se de néctar da flor da arnica-do-campo (Lychnophora ericoides). Neste mesmo ponto, outros beija-flores apareceram, como o besourinho-de-bico-vermelho (Chlorostilbon lucidus) e uma fêmea de chifre-de-ouro (Heliactin bilophus), que passou rapidamente, não nos dando muita chance. Seguimos adiante, procurando pelo bacurauzinho (Nannochordeiles pusillus) que logo apareceu. No mesmo ponto, um banco de pelo menos 5, 6 indivíduos de chifre-de-ouro (Heliactin bilophus) foi avistado alimentando-se. Decidimos passar um tempo ali, aguardando alguma chance de um deles pousarem, o que ocorreu poucas vezes, mas o suficiente para conseguirmos alguns bons registros. Voltamos para a pousada. Almoçamos e fizemos um rápido descanso antes de visitar a região do Alto do Palácio e a Estátua do Juquinha. Poucos passarinhos estavam ativos, mas conseguimos avistar e registrar pintassilgo (Spinus magellanicus), sanhaço-de-foto (Piranga flava), tucão (Elaenia obscura) e o grande destaque, a sanã-carijó (Mustelirallus albicollis), que deu trabalho, mas permitiu algumas fotos. Não restava muito a fazer, voltamos para a região da Mãe D’Água e, após curtir um lindo pôr-do-sol, conseguimos registrar o bacurau-da-telha (Hydropsallis longirostris). Voltamos para a pousada, fizemos um lanche e cama.

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Dia 02: Como de costume, no segundo dia seguimos para o Distrito de Lapinha da Serra, com foco na busca pelos endemismos dos Campos Rupestres. Logo no início do dia já conseguimos registrar dois dos lifers desejados, o pica-pau-chorão (Veniliornis mixtus) e o suiriri-cinzento (Suiriri suiriri). Buscamos muito por outro, a bichoita (Schoeniophylax phryganophilus), que dessa vez infelizmente não apareceu. No próximo ponto, logo após descermos do carro, duas águias-serrana (Geranoaetus melanoleucus) sobrevoavam os campos cerrados em busca de alimento. Seguindo a trilha e caminhando em direção aos campos rupestres, conseguimos registrar várias espécies como o cochicho (Anumbius annumbi), guaracava-de-topete-uniforme (Elaenia cristata), canário-rasteiro (Sicalis cirtrina) e um casal de maria-preta-de-penacho (Knipolegus nigerrimus). Em um brejo acima de 1200m de altitude em relação ao nível do mar, é possível encontrar uma pequena rã, a rã-camaquara (Leptodactylus camaquara), que tivemos a sorte de avistar e fotografar. Pouco conhecido, esse anfíbio foi encontrado apenas na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. Logo após, chegamos à metade da caminhada, no ponto onde esperávamos encontrar os focos do dia. Fomos logo recepcionados pelo “augustinho”, beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus), com sua costumeira simpatia e facilidade de registros. Nossa amiga Diná, ficou encantada com a mansidão do bichinho e gastou horas a fio o observando, chegando a tocar o pequenino em uma oportunidade. Faltavam os outros dois, pedreiro e lenheiro. Como a caminhada a partir dali já ficaria mais complicada, Diná resolveu aguardar enquanto buscávamos os registros. O pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis) foi logo aparecendo e conseguimos garantir as fotografias dele, sem muitos problemas. Já o lenheiro-da-serra-do-cipó (Asthenes luizae)… para variar deu aquele trabalhão, nos obrigando a escalar um paredão de cerca de 150m até conseguirmos nos aproximar de dois indivíduos da espécie. Lá chegando, buscamos um local onde fosse possível manter o equilíbrio e fotografar ao mesmo tempo (tarefa nada fácil naquele local). Após longas 02h de expectativa, conseguimos finalmente algumas fotos, nos alegrando e premiando todo o esforço investido naquela empreitada. Esse é aquele lifer que demanda “sangue-nos-olhos” para conseguir. Ai foi só curtir as fotos e o visual espetacular da região. Objetivos atingidos, seguimos para o povoado de Lapinha, para almoçarmos no receptivo restaurante Caminho da Serra, do nosso parceiro Marquinhos. Aproveitamos o tempo restante após o almoço e fomos curtir um pouco do visual da Lapinha, voltando para a pousada ao final do dia.

 

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Dia 03: Como conseguimos todos os grandes objetivos da Serra do Cipó nos dois primeiros dias, resolvemos voltar para Belo Horizonte/MG, para buscar mais alguns lifers para o grupo. Visitamos a Serra da Moeda com foco na maxalalagá (Micropygia schomburgkii) e no rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda). A maxalalagá andava sumida, mas decidimos tentar assim mesmo. Chegamos ao ponto e tentamos por muito tempo. Obtivemos resposta ao playback por várias vezes, mas o bichinho não apareceu. Parece que será mesmo preciso aguardar o intervalo reprodutivo para voltarmos a ver a espécie. Paramos para almoçar e, após um breve descanso seguimos para o Parque Municipal Roberto Burle Marx, com foco no cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla). Tão logo chegamos ao ponto, o bicho apareceu e deu um espetáculo, ficando por várias vezes na nossa frente, permitindo várias fotografias. Missões cumpridas, com cerca de 10 lifers para o Ronaldo e o Luciano e mais de 20 lifers para a Diná, encerramos nosso roteiro.

 

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Agradecemos aos nossos parceiros pelo apoio de sempre e aos nossos clientes e amigos pela confiança em nosso trabalho. Foram registradas 115 espécies (clique aqui e confira a lista completa).

 

Um abraço,

 

EDUARDO FRANCO

 

  • Posted by Eduardo Franco
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