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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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February21

Trip | Serras da Moeda e do Cipó 17.02.17

 

 

A Serra da Moeda é uma cadeia de montanhas localizada no Quadrilátero Ferrífero, na porção Sul da Serra do Espinhaço. Foi em razão da fartura de metais preciosos que se deu a ocupação portuguesa nessas terras. Possuindo importantes Unidades de Conservação, como o MONA da Serra da Calçada e importantes trechos naturais, sobreviventes das atividades mineradoras, a Serra da Moeda é uma importante região para a conservação da flora e fauna. A Serra do Cipó também está localizada no Espinhaço e sua ocupação ocorreu quando desbravada por sertanistas paulistas que estabeleceram as primeiras fazendas. Passada a euforia inicial da busca do ouro a população da Serra do Cipó e do entorno dedicou-se à agricultura de subsistência, à criação de gado, à produção de cachaça dentre outros produtos. A altitude de ambas porções serranas varia de 700 a 1600m e a vegetação acima de 1000m é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente as Serras da Moeda e do Cipó são destinos procurados por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza. Nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro recebemos os amigos Marco Cruz e Adriane Kassis para um roteiro pelas Serras da Moeda e do Cipó.

 

Dia 01: No primeiro dia do roteiro, visitamos o Monumento Natural Estadual da Serra da Calçada, na Serra da Moeda, em Brumadinho/MG com foco no maxalalagá (Micropygia schomburgkii) e o Parque Municipal Roberto Burle Marx em busca co cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla). Chegamos bem cedo ao Parque Municipal e começamos a atrair o cuitelão. Assim como no último roteiro, o bichinho demorou um bocado para aparecer, nos deixando um pouco apreensivos. Demorou, mas apareceu e veio em dupla, celebrando o início da viagem com um lifer e tanto para nossos amigos. Antes de sairmos, passamos na sede administrativa do Parque para cumprimentar o amigo Sandro Figueiredo, guarda municipal e observador de aves, que monitora as aves do local, sempre nos mantendo informados das novas aparições. Muito obrigado, Sandro! Voltamos para o carro e seguimos viagem para Brumadinho/MG, onde iríamos em busca do maxalalagá. Após 30 minutos de carro e mais 2km andando, chegamos ao ponto e preparamos o local. Não demorou muito e o primeiro indivíduo apareceu na trilha, muito rápido, não deu nenhuma chance. Poucos segundos depois, o que pareceu ser outro indivíduo saiu e, dessa vez, deu excelentes oportunidades para que a Adriane e o Marco fizessem seus registros. A ceva e o treinamento estão mostrando cada vez mais bons resultados, evitando a necessidade do uso do playback e estressando menos as saracurinhas. Antes de voltarmos, um casal de rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda) não deu muito mole, mas após alguma insistência, subiu em um bom poleiro e entrou para a lista de lifers da viagem. Bicho bonito, de voz marcante, muito comum nos campos rupestres do Espinhaço. Fotos feitas, fizemos uma rápida parada para almoçar e seguimos viagem para a Serra do Cipó.

 

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Dia 02: Acordamos bem cedo e seguimos para o distrito de Lapinha da Serra, onde iríamos buscar as espécies endêmicas do Espinhaço. Ainda no caminho, fomos surpreendidos por duas águias-serranas (Geranoaetus melanoleucus), sendo uma adulta e outra jovem, voando em cima de nós. Paramos o carro, descemos, mas elas se mantiveram muito distante, não dando chance para boas fotos. Entretanto, ficamos ali por alguns minutos, observando o que parecia uma sessão de aulas do adulto para o jovem, executando vários mergulhos em direção aos campos cerrados da Serra do Cipó. Cena incrível de se observar. Chegamos na trilha e, como não poderia ser diferente, o vento e a forte neblina marcaram o início da caminhada, dificultando bastante o encontro com as aves. Com poucos lifers possíveis na lista, seguimos direto para o ponto do beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus) e o “augustinho” não decepcionou. Estava lá em seu poleiro e encantou os novos visitantes. Nem deu tempo de clicar ele direito e escutamos um indivíduo de lenheiro-da-serra-do-cipó (Asthenes luizae) vocalizando em um dos paredões da Lapinha. Apesar de bem alto, o bicho parecia estar em um local possível de chegar. Adiantei o passo e tentei me aproximar dele. Após tentar atraí-lo com o playback, escutei uma resposta em uma das pedras logo acima de mim e quando olhei com o binóculos, lá estava a joia, no alto de uma pedra emitindo sua intensa vocalização, marcando seu território. Fiz um click rápido e chamei o Marco e a Adriane, que subiram rapidamente. Começamos então nossa escalada de cerca de 150m pelos paredões de quartzito, atrás do bichinho. Após alguns minutos, paramos e tentei novamente atraí-lo e, prontamente, ele respondeu um pouco mais acima. Subimos mais um pouco e então o avistamos pela segunda vez. Respiramos fundo e então começamos a aguardar alguma chance no limpo, quando ele sobe nas pedras para vocalizar. Muita espera e nada, resolvemos ir atrás. O bicho locomovia à nossa frente e nós íamos seguindo, nos equilibrando a mais de 1400m de altitude. Alguns registros eram feitos, mas ainda nada da foto que a espécie merece. Cerca de 02h depois, o Marco seguiu sozinho a fim de gravar a voz do bicho quando de repente um deles pousa em um afloramento rochoso bem a frente dele. Olhando de longe, eu e Adriane cruzando os dedos para que o bicho saísse no limpo. Alguns segundos depois, o Marco coloca os olhos na câmera e dispara uma boa sequencia de cliques, o bicho sai do local e fomos atrás dele, ansiosos. Marco nos recebe com aquele sorriso e uma baita de uma foto dessa que é uma das espécies mais complicadas de se fotografar no Cipó. A sensação de missão cumprida é muito bacana. Ficamos alguns minutos ali no alto, olhando as fotos e comemorando com selfies temperadas com largos sorrisos. Descemos, então, e partimos em busca do outro endêmico, o pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis). Conseguimos ouvir a voz do bicho, vimos ele voando alto, mas nada de foto. O tempo já era curto e então resolvemos ir almoçar e deixar ele para a tarde. Após uma deliciosa comida mineira e uma rápida soneca nas redes disponibilizadas no restaurante, partimos atrás do bicho. No primeiro ponto, nada dele. Lá vamos nós para mais alguns quilômetros de caminhada. Terceiro ponto e nada dele… Não restava nada a não ser desistir e, quando demos o terceiro passo voltando na trilha, o bicho vocaliza. Otimismo recuperado, voltamos e o bicho estava forrageando no chão a poucos metros de nós. Alguns cliques e ele sobe em um mourão, dando mais algumas oportunidades, porém, com luz ruim. Após isso o bicho voou para longe, desaparecendo em meio à vegetação. Gastamos o pouco de dia restante clicando alguns bichinhos por ali, antes de voltar para a pousada.

 

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Dia 03: Faltavam poucas possibilidades de lifers e então resolvemos voltar para Lapinha da Serra, buscar o capacetinho-do-oco-do-pau (Microspingus cinereus) que estava faltando e tentar melhorar as fotos do gravata-verde e do pedreiro, já que o lenheiro nos tomou boa parte da manhã. Começamos atrasados, graças ao atraso provocado pelo deslize da troca no horário de verão (rs acontece…). Após alguns palavrões de desabafo, tomamos coragem e mantivemos nosso planejamento. Chegando ao início da trilha o prêmio veio rapidamente. Lá estavam os capacetinhos, garantindo o lifer que faltava. Voltamos ao ponto do “augustinho” e agora sim, com tempo, boas fotos foram obtidas. Faltava encontrar o pedreiro, em seu ambiente e com boa luz, para uma melhor fotografia. Após alguma procura, encontramos um indivíduo e seguimos em busca dele. Precisamos subir um pouco nas encostas dos paredões e então o bicho colaborou, desceu e veio ao nosso encontro, pousando nos poleiros rochosos, permitindo boa aproximação. Fechamos o roteiro com 100% de aproveitamento, conseguindo todas as espécies que planejamos. Concluímos com mais um bom almoço mineiro, antes de partir para o aeroporto e retornar para casa.

 

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Agradecemos aos nossos parceiros e prestadores de serviços pelas gentilezas de sempre. Agradecemos também aos nossos clientes e amigos pela confiança em nossos serviços. Foram mais de 100 espécies registradas (clique aqui e confira a lista completa) e vários lifers para a lista dos nossos visitantes.

 

Grande abraço,

 

EDUARDO FRANCO

 


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Serra do Cipó 2017 2

 


  • Posted by Eduardo Franco
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