BLOG

Relatos ilustrados de nossos roteiros

Você esta aqui:

February13

Trip | Serras da Moeda e do Cipó 17.02.09

 

 

A Serra da Moeda é uma cadeia de montanhas localizada no Quadrilátero Ferrífero, na porção Sul da Serra do Espinhaço. Foi em razão da fartura de metais preciosos que se deu a ocupação portuguesa nessas terras. Possuindo importantes Unidades de Conservação, como o MONA da Serra da Calçada e importantes trechos naturais, sobreviventes das atividades mineradoras, a Serra da Moeda é uma importante região para a conservação da flora e fauna. A Serra do Cipó também está localizada no Espinhaço e sua ocupação ocorreu quando desbravada por sertanistas paulistas que estabeleceram as primeiras fazendas. Passada a euforia inicial da busca do ouro a população da Serra do Cipó e do entorno dedicou-se à agricultura de subsistência, à criação de gado, à produção de cachaça dentre outros produtos. A altitude de ambas porções serranas varia de 700 a 1600m e a vegetação acima de 1000m é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente as Serras da Moeda e do Cipó são destinos procurados por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza. Nos dias 09, 10, 11 e 12 de fevereiro recebemos os fotógrafos de aves Roberto Seckendorff e Aluísio Ferreira para um roteiro pelas Serras da Moeda e do Cipó.

 

Dia 01: Iniciamos o primeiro dia visitando trilhas em Belo Horizonte e Brumadinho, com foco em duas espécies, o cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla) e o maxalalagá (Micropygia schomburgkii). O pequeno e ameaçado cuitelão já nos trouxe emoção logo no começo da viagem. Geralmente fotografar esse bicho é muito simples e, logo que chegamos ao ponto, começamos a tentar atrair a ave. Após aguardar aproximadamente 01h sem sinal do bicho, cogitamos desistir. No mesmo instante em que começamos a retornar, tive a impressão de ouvir o batido de bico característico da espécie. Aguardamos mais um pouco e escutei novamente o batido quando, de repente, um indivíduo se aproximou silenciosamente e pousou em um galho próximo. Para nosso alívio lá estava o pequenino, que então começou a vocalizar e, finalmente, permitiu algumas fotografias. Missão cumprida, partimos para a maxalalagá. Chegamos ao local, preparamos o cenário e começamos a atrair a saracurinha. Bastaram 5 minutos de espera e ela saiu na trilha, entretanto, não parou e deu pouquíssimas chances de fotos. Aguardamos cerca de 01h para que ela reaparecesse e nada. Paramos para almoçar antes de seguir viagem para a Serra do Cipó. Após cerca de 02h de viagem, demos entrada na pousada e aproveitamos o restinho da tarde em uma trilha próxima. Lá encontramos algumas várias espécies típicas, mas as que renderam boas imagens foram a cigarra-do-campo (Neothraupis fasciata) e o bacurauzinho (Nannochordeiles pusillus), esta última apenas em voo.

 

2017.02.09_0012017.02.09_002 2017.02.09_003 2017.02.09_004

 

Dia 02: Saímos da pousada às 05h30 em direção ao Distrito de Lapinha da Serra. Chegando lá nos deparamos com densa neblina, forte vento e uma garoa gelada, que prometeram uma manhã complicada. Iniciamos a busca pelos lifers com uma parada para tentar a bichoita (Schoeniophylax phryganophilus) e o pula-pula-de-sobrancelha (Myiothlypis leucophrys). A primeira apareceu e deu show, o segundo até respondeu ao playback mas não deu chance para nenhuma fotografia. No meio do campinho até o próximo objetivo, uma família de caracará (Caraca plancus), um casal de sanhaço-de-fogo (Piranga flava) e um pica-pau-branco (Melanerpes candidus) deram um mole danado. Um dos importantes lifers, o ameaçado capacetinho-do-oco-do-pau (Microspingus cinereus), apareceu encharcado pela chuva. Os próximos objetivos eram dois super endemismos da Cadeia do Espinhaço, o beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus) e o pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis), ambos documentados com excelentes registros fotográficos. No caminho de volta para a pousada, ainda deu tempo de registrar o belíssimo rapazinho-dos-velhos (Nystalus maculatus).

 

2017.02.09_005 2017.02.09_006 2017.02.09_007 2017.02.09_008 2017.02.09_009 2017.02.09_010 2017.02.09_011 2017.02.09_012

 

Dia 03: No terceiro dia, visitamos a Trilha da Mãe D´Água e o Parque Nacional da Serra do Cipó em busca de mais lifers e melhorar a foto do bacurauzinho (Nannochordeiles pusillus), que finalmente encontramos pousadinho. Conseguimos também um macho adulto de patativa (Sporophila plumbea) um casal de choca-do-nordeste (Sakesphorus cristatus) e a grande surpresa, um inambu-chororó (Crypturellus parvirostris). Voltei a encontrar o jovem da jacurutu (Bubo virginianus) no mesmo local e também um jovem caboclinho (Sporophila bouvreuil) nos campos do Parque Nacional.

 

Dia 04: Como já não havia muitas possibilidades de novidades na Serra do Cipó, dentro da lista de lifers de nossos clientes, resolvemos voltar para Brumadinho e tentar novamente uma melhor chance com a maxalalagá. Chegamos bem cedo à Serra da Moeda e após 15 minutos de espera, a saracurinha voltou a aparecer, dessa vez dando um pouco mais de possibilidades de registros. Aproveitamos o tempo e tentamos melhorar também o registro do rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda), que depois de muito custo, resolveu posar num poleiro limpo.

 

2017.02.09_013 2017.02.09_018 2017.02.09_017 2017.02.09_016 2017.02.09_015 2017.02.09_014 2017.02.09_020 2017.02.09_019

 

Foram 135 espécies registradas, sendo que aproximadamente 20 delas foram lifers na lista dos nossos clientes. Clique aqui e confira a lista completa. Agradecemos a confiança em nosso trabalho e ao apoio dos nossos parceiros e amigos que sempre fortalecem nossas atividades.

 

Um abraço,

 

EDUARDO FRANCO

 

  • Posted by Eduardo Franco
  • 7 Tags
  • 0 Comments
COMMENTS