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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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January22

Trip | Serras da Moeda e do Cipó 17.01.20

 

 

A Serra da Moeda, cadeia de montanhas localizada no complexo da Serra do Espinhaço, possui uma extensão que abrange oito municípios mineiros: Brumadinho, Moeda, Belo Vale, Jeceaba, Congonhas, Itabirito, Rio Acima e Nova Lima. Foi em razão da fartura de metais preciosos que se deu a ocupação portuguesa nessas terras de Minas Gerais. Atualmente a Serra da Moeda é destino bastante procurado por turistas das mais variadas modalidades. Possuindo importantes Unidades de Conservação como o Monumento Natural Estadual da Serra da Calçada e importantes trechos naturais, sobreviventes das atividades mineradoras, a Serra da Moeda é uma importante região para conservação de flora e fauna no Quadrilátero Ferrífero. Já a Serra do Cipó está localizada na porção Sul da Cadeia do Espinhaço, região central do Estado de Minas Gerais. A variação altitudinal vai de 800 até 1687m. O clima é tropical montano com temperaturas variando entre 17 e 18,5 ºC, clara divisão entre estações seca e chuvosa e precipitação anual entre 1400 e 1850mm. A vegetação é bastante característica sendo que na face oeste, predominam o Cerrado (800 e 1000m) e os Campos Rupestres (1000m) e na face leste predomina predominam a Mata Atlântica (800 e 1000m) e os Campos Rupestres (1000m). O Campo Rupestre é a vegetação predominante  entre 1000 e 1300m em ambas as faces. Acima de 1300m, ocorrem campos e brejos com alguns afloramentos rochosos. No pé da Serra ocorrem lagos, áreas alagadas e pequenas comunidades, propriedades rurais e centros turísticos.

 

Nos dias 20, 21 e 22 de janeiro recebemos o observador de aves, Pascoal Araújo, para um roteiro pelas Serras da Moeda e do Cipó.

 

DIA 01: Iniciamos nosso roteiro na Serra da Moeda, em Brumadinho/MG, com o objetivo de fotografar a maxalalagá (Micropygia schomburgkii). Chegamos na entrada do Monumento Natural da Serra da Calçada ainda antes do Sol nascer e uma forte neblina escondeu o Sol por um bom tempo. O clima não era o ideal para ver o bicho, mesmo assim continuamos. No caminho outras espécies foram aparecendo, sem dar muita chance. Conseguimos alguns poucos registros da choca-de-asa-vermelha (Thamnophilus torquatus) e rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda). Outros, como o tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata) e tico-tico-do-banhado (Donacospiza albifrons) não deram nenhuma possibilidade de fotografia, escondendo-se nos arbustos. Dois periquitos-rei (Eupsittula aurea) pousaram limpos próximos de nós, sendo que um deles rendeu algumas fotografias de longe. Continuamos caminhando e a neblina não dava trégua, fechando cada vez mais sobre nossas cabeças. Chegamos ao ponto da maxalalagá e ventava bastante enquanto preparávamos o blind (rede camuflada para o fotógrafo se esconder). Pela segunda vez fiz a tentativa de fornecer algum alimento para ela, como reforço positivo por sair na trilha. Pelo jeito funcionou bem, apenas 10 minutos aguardando, um indivíduo saiu do capim e foi diretamente para o alimento fornecido, ficando exposta por alguns minutos enquanto se alimentava. O filhote, que havia sido avistado no dia anterior apareceu, mas não permaneceu na trilha. O tempo foi suficiente para fazermos alguns bons registros e não continuar mais o playback, evitando estressar o animal, sobretudo pela presença do filhote. Durante a volta ainda voltamos a tentar as espécies acima, sem sucesso. O único registro foi se dois sabiás-do-campo (Mimus saturninus) que pousaram em um poleiro limpo e foi possível registrar diferenças entre adulto e jovem, inclusive em relação à cor da íris. Encerramos a trilha e seguimos para a Serra do Cipó, almoçamos e, após um rápido descanso, visitamos a trilha da Mãe D’Água. Os dois principais objetivos foram alcançados, com boas imagens do bacurauzinho (Nannochordeiles pusillus) e do chifre-de-ouro (Heliactin bilophus). Outras espécies foram avistadas, mas pouca chance interessante para fotografia.

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DIA 02: Acordamos bem cedo e partimos para o distrito de Lapinha da Serra. Logo no início da trilha já registramos algumas espécies típicas do Cerrado do Cipó, como suiriri-cinzento (Suiriri suiriri), pica-pau-branco (Melanerpes candidus), guaracava-de-topete-uniforme (Elaenia cristata), bandoleta (Cypsnagra hirundinacea), batuqueiro (Saltatricula atricollis) entre outros. Ao chegar no trecho de Campo Rupestre, já nos deparamos com o belíssimo canário-rasteiro (Sicalis citrina) e, após algum tempo sem nem ao menos o ver, um lenheiro-da-serra-do-cipó (Asthenes luizae) surge vocalizando entre as formações rochosas. Seguimos o bicho por vários minutos tentando ter uma chance ao menos de fotografar, mas o bicho não deu nenhuma chance. Após esperar um bom tempo, decidimos seguir em frente. Continuamos tentante atrair mais deles e outro indivíduo responde próximo a nós. Novamente, mesmo processo, tentamos segui-lo e nada de uma única oportunidade de clicar. Ôh bichinho danado de complicado! Fora de época, é preciso muita dedicação para ter uma chance com ele. Bem, após desistirmos do segundo lenheiro, dois rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda), este sim, nos deu várias boas oportunidades. Voltamos para a trilha e chegamos ao ponto do beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus) que como sempre, lá estava nos mesmo poleiros de sempre. Após clicar bastante o bichinho, fizemos uma rápida parada para um lanche. Enquanto o Pascoal descansava as pernas, sobretudo o joelho já bastante desgastado, fui atrás do pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis). Após alguns bons minutos vasculhando brejos e as fissuras das rochas, finalmente encontrei um indivíduo. Chamei o Pascoal e conseguimos registrar bem o bicho. Pegamos novamente a trilha, dessa vez voltando em direção ao carro. No meio do caminho conseguimos registrar dois bichinhos bem interessantes, o lagartinho-da-montanha (Tropidurus montanus) e o lagartinho-de-crista-do-espinhaço (Eurolophosaurus nanuzae), sendo esse último endêmico da Cadeia do Espinhaço, mostrando que apesar do foco, a Serra do Cipó é muito mais que apenas os passarinhos. Passamos no povoado de Lapinha da Serra para almoçar e depois voltamos para a pousada, mas antes fizemos uma rápida parada para registrar a choca-do-nordeste (Sakesphorus cristatus) e ganhamos de brinde outros, como o guaracavuçu (Cnemotriccus fuscatus).

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DIA 03: Após uma boa noite de sono para recuperar as forças e os joelhos, cansados das trilhas rochosas do Cipó, visitamos o Parque Nacional da Serra do Cipó e logo de cara fomos surpreendidos com duas espécies bastante incomuns na região, o gavião-peneira (Elanus leucurus) e o pica-pau-de-topete-vermelho (Campephilus melanoleucos). Nenhum dos dois permitiu boa aproximação, mas os registros foram bastante comemorados. Quando começamos a entrar na mata ciliar do Rio Cipó, vimos uma jacurutu (Bubo virginianus) voando. tentamos de todas as formas localizar o bicho e não tivemos sucesso. Essa cena se repetiu mais uma vez, metros a frente. Seguimos a trilha e, quando já havíamos perdido a esperança, lá estava ela, imponente, bem acima de nossas cabeças e, dessa vez, conseguimos ver e fotografar. Ainda dentro da mata, conseguimos bons registros da cigarra-preta (Tiaris fuliginosus) e de uma fêmea de soldadinho (Antilophia galeata). Voltando para os campos alagados, um batuqueiro (Satatricula atricollis) e um canário-do-campo (Emberizoides herbicola) deram um mole danado.

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Encerramos o roteiro com 122 espécies registradas e, apesar de boa parte delas já ter parado de responder playback, conseguimos fazer uma boa lista de lifers com bons registros fotográficos. Clique aqui e confira a lista completa. Agradecemos ao Pascoal pela confiança em nosso trabalho e ao PARNA da Serra do Cipó pela excelente recepção, como sempre.

 

Grande abraço,

 

Eduardo Franco

  • Posted by Eduardo Franco
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