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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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January16

Trip | Serras da Moeda e do Cipó 17.01.12

 

 

Nos dias 12, 13, 14 e 15 de janeiro recebemos os fotógrafos paulistas Alexandre Gualhanone, Adilson Marques e Lindolfo Souto para um roteiro pelas Serras da Moeda e do Cipó.

 

DIA 01: Iniciamos o roteiro da Serra da Moeda, em Brumadinho/MG, em busca da maxalalagá (Micropygia schomburgkii) e outras espécies de campos rupestres ferruginosos. Infelizmente, pela primeira vez desde outubro de 2016, a avezinha não saiu do capim. Insistimos por mais de 03h e, apesar de dois indivíduos da espécie vocalizarem bem próximos de nós, eles não se mostraram. Uma importante baixa logo no início da viagem, mas acontece quando se trabalha com natureza. Enquanto aguardávamos a maxalalagá, um tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata), espécie também desejada pelo grupo, deu ótimas possibilidades de fotografia, compensando o no show da pequena sanã. Antes de irmos embora, outro desejo fez uma rápida aparição, mas com bons registros: o inambu-chororó (Crypturellus parvirostris) atravessou por duas vezes na trilha a nossa frente. Fechamos o primeiro dia e seguimos viagem para a Serra do Cipó, em Santana do Riacho/MG.

 

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DIA 02: Acordamos bem cedo e nos deparamos com uma baita de uma chuva. Olhares e pensamentos desanimados até que resolvemos arriscar. Entramos todos no carro e seguimos para o distrito de Lapinha da Serra. Durante o trajeto de carro, com o nascer do Sol, percebemos que a chuva estava reduzindo e que o céu não estava tão fechado. Neste momento nosso otimismo aumentou. Quando paramos para tomar café-da-manhã, a chuva já havia parado completamente. Seguimos então até o início da trilha e antes mesmo de começar, o primeiro importante lifer foi registrado: o capacetinho-do-oco-do-pau (Microspingus cinereus), bicho bonito e ameaçado de extinção. Ventava bastante e um chuvisco insistente deixava tudo ainda mais complicado. Seguimos teimosos e alguns minutos depois uma fêmea de pica-pau-branco (Veniliornis candidus) foi flagrada alimentando seu pequeno filhote que a aguardava no pequeno buraco de um tronco. Logo a frente outro importante registro, o rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda), não deu tantas chances, mas foi o suficiente para alguns bons registros. Seguimos a trilha até encontrarmos o beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus) e, mesmo antes de vermos o pequenino, o pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis) apareceu, buscando alimento nos pequenos brejos que se formam entre as rochas do campo rupestre. Pedreiro resolvido, nos dedicamos ao beija-flor que, novamente, deu espetáculo. Antes de irmos embora, uma fêmea de pica-pau-chorão (Veniliornis mixtus) apareceu e deu um show. Seguimos para o almoço e um rápido descanso. A tarde visitamos a trilha da Mãe D’Água e logo no início mais um lifer para o grupo, a guaracava-modesta (Sublegatus modestus). Poucos metros depois um campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens) permitiu excelentes fotografias. Partimos então em busca de outro novo registro e não demorou a encontrarmos o primeiro bacurauzinho (Chordeiles pusillus). No meio do caminho, um bando de cigarras-do-campo (Neothraupis fasciata) também rendeu boas fotografias. Encerramos então o primeiro excelente dia na Serra do Cipó. Seguimos para a pousada para jantar e, então, dormir.

 

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DIA 03: Apesar da previsão de chuva, o dia amanheceu apenas nublado. Aproveitamos e visitamos o Parque Nacional da Serra do Cipó. Logo na portaria da Unidade de Conservação, um bando com várias espécies ocupou bastante do nosso tempo. Estavam lá o tico-tico-de-bico-amarelo (Arremon flavirostris), bico-reto-de-banda-branca (Heliomaster squamosus), tico-tico-rei-cinza (Coryphospingus pileatus), saí-azul (Dacnis cayana), saíra-amarela (Tangara cayana) entre outros. Entrando finalmente no parque e seguindo a trilha, logo dois bichos deram um show: canário-do-campo (Emberizoides herbicola) e tico-tico-do-campo (Ammodramus humeralis) renderam boas imagens, principalmente para o amigo Lindolfo, que queria muito fotografar essas espécies. Poucos metros a frente e um macho de azulão (Cyanoloxia brissonii) e outro macho de cigarra-preta (Tiaris fuliginosus) foram registrados. Encerramos a trilha no PARNA da Serra do Cipó, partimos para o almoço e depois voltamos para a pousada. Enquanto Lindolfo e Adilson foram para o quarto descansar, voltei com o Alexandre na trilha da Mãe D’Água para ele melhorar o registro do bacurauzinho. Em pouco tempo conseguimos encontrar um indivíduo que facilitou bastante a obtenção da imagem desejada, inclusive exibindo alguns de seus displays. Enquanto o Alexandre clicava o bicho, percebi a vocalização do chifre-de-ouro (Heliactin bilophus) e logo visualizei um pequeno bando de dois machos e uma fêmea, em ritual de acasalamento. Logo, um dos machos pousou e permitiu algumas fotografias. Ficaram retornando no mesmo ponto algumas vezes e então avisamos, por telefone (que por sorte tinha sinal no local), para os demais amigos, que rapidamente abandonaram o descanso e vieram para a trilha. Os pequenos beija-flores voltaram algumas vezes durante algumas horas, permitindo que todos pudessem obter excelente imagens desse que é uma das mais belas espécies de aves do mundo. Nada mais a fazer, fizemos um lanche e cama.

 

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DIA 04: Dessa vez a previsão acertou e o dia amanheceu chuvoso. Mantivemos nossa teimosia e colocamos o pé na estrada. Antes de encerrarmos nosso roteiro, decidimos voltar para Belo Horizonte / MG para buscar o cuitelão (Jacamaralcyon trydactila). Decisão acertadíssima. Chegamos no Parque Municipal Roberto Burle Marx e seguimos direto para o ponto do cuitelão. No meio do caminho, entre outras espécies registradas, uma saracura-três-potes (Aramides cajaneus) deu um mole danado e rendeu boas imagens. Chegando ao ponto, antes mesmo de nos prepararmos, fomos surpreendidos por uma lindíssima coruja-orelhuda (Asio clamator), que era um super lifer não programado para a viagem. O bicho ficou um bom tempo empoleirado. Emoção pura! Após fotografarmos ela de todas as formas, chamamos o cuitelão que não demorou e já desceu bem, realizando mais esse desejo dos nossos clientes. Como ainda faltava algum tempo antes do voo de volta, aproveitamos e demos uma rápida passada na Lagoa da Pampulha, logo após o almoço. Fizemos 4 paradas em pontos estratégicos e não teve erro. A Pampulha é diversão garantida, sempre. Uma bicharada enorme nos ocupou por toda algumas horas. Conseguimos excelentes registros da sanã-parda (Laterallus melanophaius), garibaldi (Chrysomus ruficapillus), socó-dorminhoco (Nycticorax nycticorax), bico-de-lacre (Estrilda astrild), socozinho (Butorides striata), coruja-buraqueira (Athene cunicularia) entre outros.

 

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Agradecemos aos nossos clientes pela confiança em nosso trabalho. Foram 148 espécies registradas, entre elas mais de 15 lifers para a lista dos nossos novos amigos. Confira abaixo as listas completas:

 

Serra da Moeda: Clique aqui e confira a lista completa.

 

Serra do Cipó: Clique aqui e confira a lista completa.

 

Belo Horizonte: Clique aqui e confira a lista completa.

 

Grande abraço,

 

EDUARDO FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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