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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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February05

Trip | Serra do Cipó 17.02.03

 

 

Serra do Cipó está localizada na porção Sul da Cadeia do Espinhaço, região central do Estado de Minas Gerais. A variação altitudinal vai de 800 até 1687m. O clima é tropical montano com temperaturas variando entre 17 e 18,5 ºC, clara divisão entre estações seca e chuvosa e precipitação anual entre 1400 e 1850mm. A vegetação é bastante característica sendo que na face oeste, predominam o Cerrado (800 e 1000m) e os Campos Rupestres (1000m) e na face leste predomina predominam a Mata Atlântica (800 e 1000m) e os Campos Rupestres (1000m). O Campo Rupestre é a vegetação predominante  entre 1000 e 1300m em ambas as faces. Acima de 1300m, ocorrem campos e brejos com alguns afloramentos rochosos. No pé da Serra ocorrem lagos, áreas alagadas e pequenas comunidades, propriedades rurais e centros turísticos. Nos dias 03 e 04 de fevereiro, recebemos o observador de aves Afrânio, para um roteiro em busca de bons registros das aves do Cerrado e Campos Rupestres Mineiros.

 

DIA 01: Saímos de Belo Horizonte às 06h30, embaixo de uma garoa insistente. Próximo à Serra do Cipó, o tempo foi limpando e quando chegamos à pousada a chuva havia parado completamente. Aproveitamos, montamos o equipamento e visitamos a Trilha da Mãe D’Água. Apesar de já ser 09h, o nublado amenizou o calor e manteve alguns dos bichos ativos. Logo no início um bando de várias espécies, principalmente as guaracavas-de-barriga-amarela (Elaenia flavogaster) e guaracava-de-topete-uniforme (Elaenia cristata) se esbaldavam em uma árvore carregada de pequenos frutos. Alguns machos de patativa (Sporophila plumbea) vocalizavam bem alto no alto da copa de algumas árvores e outros de campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens) no chão e em pequenos arbustos. Poucos deles renderam boas fotos, poucas espécies estão sendo atraídas pelo uso do playback, pelo fato de estarem em período de descanso reprodutivo. Alguns metros a frente, um bando de tesouras-do-brejo (Gubernetes yetapa) deram um pequeno espetáculo, exibindo seu característico display. Duas espécies de pica-paus, o branco (Melanerpes candidus) e o do-campo (Colaptes melanochloros) marcaram presença pouco antes de encontrarmos o primeiro bacurauzinho (Nannochordeiles pusillus), que possibilitou bons registros. Passamos por algumas arnicas-do-campo, já floridas, na expectativa de encontrarmos alguns beija-flores, mas pouca coisa foi avistada. Decidimos, então, seguir caminhando pela trilha quando várias espécies interessantes nos premiaram. Conseguimos boa aproximação de um bando de batuqueiro (Satatricula atricollis), um macho de canário-rasteiro (Sicalis citrina) e um casal de cigarra-do-campo (Neothraupis fasciata). Quando o calor e a fome apertaram, decidimos retornar para a pousada. No caminho conseguimos, finalmente, visualizar alguns beija-flores. Estavam lá o beija-flor-de-orelha-violeta (Colibri serrirostris), besourinho-de-bico-vermelho (Chlorostilbon lucidus) e chifre-de-ouro (Heliactin bilophus). Todos muito ariscos sem registros.

 

Quando sentamos no restaurante para pedir nosso almoço, a chuva voltou a cair forte, trovejando bastante. Terminamos nosso almoço e seguimos par os quartos descansar. Quando nos encontramos novamente, a chuva havia parado, nos dando chance de passarinhar. Seguimos para a região do Alto do Palácio, onde conseguimos registrar espécies interessantes como o papa-moscas-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris), caminheiro-de-barrriga-acanaleda (Anthus hellmayri), tico-tico-do-banhado (Donacozpiza albifrons) e, por último e com um verdadeiro espetáculo, a sanã-carijó (Musterallius albicollis), que saiu do capim por várias vezes, permitindo excelentes registros. Com a chuva caindo na hora certa e uma relevante lista de espécies registradas, encerramos o nosso primeiro dia com ótimos resultados.

 

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DIA 02: Saímos bem cedo da pousada e partimos para o distrito de Lapinha da Serra. Logo quando paramos o carro, avistamos uma imponente águia-serrana (Geranoaetus melanoleucus), bem alta, peneirando em busca de alimento. Logo abaixo, uma dupla de capacetinho-do-oco-do-pau (Microspingus cinereus) vocalizava e permitiu alguns bons registros. Pouco depois, outra dupla, dessa vez de graveteiro (Phacellodomus ruber) também deu um mole danado. Começamos a subir o para o campo rupestre quando um jovem macho de beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus) nos surpreendeu, forrageando no solo, capturando pequenas moscas que se aglomeravam em cima de esterco. Já acima de 1.100m de altitude, encontramos uma raridade ameaçada de extinção, a borboleta (Nirodia belphegor), que eu já havia avistado no Cipó há cerca de 1 ano atrás. O vento era forte e a neblina densa fazia com que boa parte das aves ficasse quieta. Seguimos então até o “Augustinho”, beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus) que lá estava e permitiu excelente registros. Buscamos por muitos minutos alguma chance com os endêmicos do Cipó, lenheiro e pedreiro, que não deram nenhum sinal. O calor já era forte, quando decidirmos iniciar a volta. Ao longo de todo o percurso, quase nada de passarinhos. Tentamos os endêmicos mais algumas vezes e nada. Seguimos para o almoço e um rápido descanso. Após o almoço, sugeri tentarmos o pedreiro em outro ponto e lá estava o bonito, um aparente casal de pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis) premiou nossa insistência e deu um mole danado. Ufa! Bicharada complicada! Mesmo sendo uma época que naturalmente as aves reduzem suas atividades, foi um dia bastante atípico, com pouquíssimas espécies vocalizando e se mostrando. Praticamente nenhuma delas respondeu ao playback. Faz parte, a natureza não é uma ciência exata.

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Apesar de todas as dificuldades da época, com a bicharada bastante quieta, conseguimos registrar 90 espécies em 2 dias (clique aqui e confira a lista completa). Agradecemos a confiança em nosso trabalho!

 

Grande abraço,

 

EDUARDO FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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