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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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August19

Trip | Serra do Cipó 16.08.05

 

 

Considerada um dos principais destinos de ecoturismo no Brasil, a Serra do Cipó está localizada na porção Sul da Cadeia do Espinhaço, região central do Estado de Minas Gerais. A variação altitudinal vai de 800 até 1687m. O clima é tropical montano com temperaturas variando entre 17 e 18,5 ºC e clara divisão entre estações seca e chuvosa e precipitação anual entre 1400 e 1850mm. A vegetação é bastante característica sendo que na face oeste, predominam o Cerrado (800 e 1000m) e os Campos Rupestres (1000m) e na face leste predomina predominam a Mata Atlântica (800 e 1000m) e os Campos Rupestres (1000m). O Campo Rupestre é a vegetação predominante  entre 1000 e 1300m em ambas as faces. Acima de 1300m, ocorrem campos e brejos com alguns afloramentos rochosos. No pé da Serra ocorrem lagos, áreas alagadas e pequenas comunidades, propriedades rurais e centros turísticos. Nos dias 05, 06 e 07 de agosto recebi os amigos Paula Barreto e Nelson Cabral para um roteiro em busca dos endemismos do Cipó.

 

Chegamos no meio da manhã e, mesmo com o horário avançado e o forte calor, resolvemos dar um pulo na Trilha Mãe D’Água. Pouca coisa apareceu  além de um beija-flor-de-orelha-violeta (Colibri serrirostris). Aproveitando algumas poucas horas restante, fizemos uma rápida parada em um dos mirantes da Serra para curtir a paisagem e tentar ver algum passarinho. Chegamos e um bando de batuqueiro (Saltatricula atricollis) se alimentava quando escutei um sanhaço-de-fogo (Piranga flava) cantando. Desci no carro para pegar o equipamento e quando voltei o bicho já estava empoleirado na frente da Paula. Ai foi só tentar colocar o casal em poleiros melhores para fotografia, o que não é difícil no Cerrado. Pouco tempo depois um macho de campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens) nos presenteia com sua presença acompanhados de um bando de capacetinho-do-oco-do-pau (Microspingus cinereus) que fechou com chave de ouro nosso pit-stop. Eita que esse mirante rendeu bem demais!

 

Seguimos para o restaurante para um descanso e almoço. Logo após demos um pulo no ponto da choca-do-nordeste (Sakesphorus cristatus) e um casal deu várias chances para fotografias. Após gastarmos um bom tempo com elas seguimos para o Alto do Palácio e fizemos uma visita ao Juquinha onde conseguimos registrar pintassilgo (Spinus magellanicus), caminheiro-de-barriga-acanelada (Anthus hellmayri), tico-tico-do-banhado (Donacospiza albifrons) entre outros. Terminamos o primeiro dia com ótimos registros apesar do clima seco que piora a cada nova semana sem chuva nos últimos 3 meses.

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No segundo dia acordamos bem cedo e seguimos para Lapinha da Serra em busca dos endemismos do Cipó. O primeiro registro interessante do dia foi uma tímida bichoita (Schoeniophylax phryganophilus). No mesmo local um papa-capim-de-costas-cinzas (Sporophila ardesiaca) também passou rapidamente. Iniciamos a procura pelas espécies nos campos rupestres e a primeira que conseguimos foi um rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda) que deu um show a poucos metros das lentes. Chegamos no ponto para tentarmos ver o lenheiro-da-serra-do-cipó (Asthenes luizae) e, para variar, ele deu aquele trabalhão. Sobe pedra, desce pedra e após alguma insistência fez algumas rápidas aparições permitindo algumas poucas fotografias. A próxima meta era o beija-flor-de-gravata-verde que, novamente, não decepcionou. Aliás, dessa vez ele abusou do espetáculo. Primeiramente pois pela primeira vez consegui observar um gravatinha-verde fazendo corte para uma fêmea. Isso mesmo, o “Augustinho” está namorando <3 <3 <3 Foram duas vezes, bem rápido, mas ele dançou para uma fêmea empoleirada que parece ter gostado da proposta… Agora é tentar acompanhar e localizar o ninho dos herdeiros do bichinho. Como se não bastasse, ele novamente permitiu grande aproximação e os amigos Paula e Nelson me presentearam com algumas fotos que valem mais que medalha de ouro olímpica. Os objetivos da manhã estavam cumpridos e agora era almoçar e preparar para a tarde.

 

Após o almoço seguimos em busca do pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis) e antes dele a grata surpresa de um novo registro para o local, um balança-rabo-de-máscara (Polioptila dumicola) apareceu nas margens da represa da Lapinha. Chegando no ponto do pedreiro, tentei atraí-lo por um bom tempo sem sucesso. Deixei os clientes descansando e fui atrás do bicho. Tenta lá, tenta cá e nada… Volto com aquela cara de tristeza e dou a má notícia. Apesar de comum, o casaca-de-couro-da-lama (Furnarius figulus) era um lifer para o Nelson e perguntei se ele não queria aproveitar e procurar pelo bicho. Ele topou e seguimos. Eu, teimoso que sou, no meio do caminho tentei uma última vez atrair o Cinclodes espinhacensis e… (só guia entende o tamanho do alívio que esse momento representa) o porqueira do bicho aparece ao pé de um arbusto cantando loucamente e exibindo um de seus displays. Ai foi aquela correria para garantir uma boa foto. Nem precisava, o bicho depois resolveu recompensar o sumiço e deu um show em cima de um mourão. UFA!

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No terceiro dia seguimos para o Parque Nacional da Serra do Cipó que não rendeu muita coisa. Muito calor, pouca água e muita timidez por parte dos passarinhos. Valeu pelo lifer da Paula, que conseguiu boas fotos do pica-pau-pequeno (Veniliornis passerinus). As tesouras-do-brejo (Gubernetes yetapa) também apareceram e foi possível conseguir excelentes imagens. Outra surpresa foi um jovem beija-flor-preto (Florisuga fusca) que até então eu nunca havia visto por ali.

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Agradeço ao Parque Nacional da Serra do Cipó pelo apoio de sempre, a Pousada Chapéu do Sol pelas gentilezas e a confiança dos clientes em nosso trabalho. Foram excelentes dias com muita paisagem, passarinho e uma lista com mais de 122 espécies. Confira a lista completa clicando aqui.

 

Um abraço.

 

EDUARDO FRANCO

 

  • Posted by Eduardo Franco
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