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June08

Trip | Serra do Cipó 16.06.04

Considerada um dos principais destinos de ecoturismo no Brasil, a Serra do Cipó está localizada na porção Sul da Cadeia do Espinhaço, região central do Estado de Minas Gerais. A variação altitudinal vai de 800 até 1687m. O clima é tropical montano com temperaturas variando entre 17 e 18,5 ºC e clara divisão entre estações seca e chuvosa e precipitação anual entre 1400 e 1850mm. A vegetação é bastante característica sendo que na face oeste, predominam o Cerrado (800 e 1000m) e os Campos Rupestres (1000m) e na face leste predomina predominam a Mata Atlântica (800 e 1000m) e os Campos Rupestres (1000m). O Campo Rupestre é a vegetação predominante  entre 1000 e 1300m em ambas as faces. Acima de 1300m, ocorrem campos e brejos com alguns afloramentos rochosos. No pé da Serra ocorrem lagos, áreas alagadas e pequenas comunidades, propriedades rurais e centros turísticos. Nos dias 04 e 05 de junho recebemos a fotógrafa Helena Backes (Porto Alegre/RS) para um roteiro pela Serra do Cipó. Foi a 1ª vez dela fotografando aves em Minas Gerais, o que garantiu diversão intensa nos dois dias de trabalho.

Na manhã do 1º dia visitamos Lapinha da Serra em busca das espécies endêmicas. Logo no início começamos bem com uma dupla de pula-pula-de-sobrancelha (Myiothlypis leucophrys) que deu um mole danado, cantando muito e pousando na borda da mata ciliar. Já no Cerrado registramos espécies como noivinha-branca (Xolmis velatus), tico-tico-do-campo (Ammodramus humeralis), canário-do-campo (Emberizoides herbicola), pica-pau-do-campo (Colaptes campestris), guaracava-de-crista-uniforme (Elaenia cristata) entre outros. Após passarmos dos 1.100m de altitude entramos nos Campos Rupestres e a paisagem modifica-se bastante, apresentando uma vegetação bastante adaptada para aquele ambiente. Com a avifauna não é diferente e é a partir dali que as espécies mais interessantes começam a aparecer. Logo nos primeiros passos conseguimos avistar e fazer boas fotos do papa-moscas-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris). Praticamente no mesmo ponto dois indivíduos de capacetinho-do-oco-do-pau (Microspingus cinereus) apareceram muito rapidamente e infelizmente não deram muita chance. Andando um pouco mais chegamos em um dos pontos onde é possível registrar o lenheiro-da-serra-do-cipó (Asthenes luizae). Após reproduzir sua característica voz algumas vezes, um indivíduo respondeu logo acima de nós. A partir disso foi só aguardar com paciência e dois deles apareceram. Utilizando alguns chamados, conseguimos boa aproximação e o bicho fez pose em cima de uma canela-de-ema (Vellozia sp.). Pouco mais em frente chegamos no ponto para registro do beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus) que facilitou como de costume. Faltava apenas um dos endêmicos, o pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis). Apesar de reproduzir a voz do bicho por algumas vezes, não obtivemos resposta. Já marcava 12h no relógio e o forte calor talvez tivesse afetado. O horário avançado nos obrigou a retornar sem ter chance com o bicho, uma pena. Mal sabíamos o que nos aguardava. Poucos metros para frente, escutamos o bicho, vocalizando exatamente no ponto onde havíamos tentado poucos minutos atrás… Infelizmente não havia tempo para tentarmos novamente, fica para uma próxima. Na volta um belíssimo indivíduo de rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda) nos presenteou com ótimas chances de fotografia. Confira a lista completa da trilha: http://goo.gl/mUNWH4.

 

Na manhã do 2º dia visitamos o Parque Nacional da Serra do Cipó. O tempo estava bem seco e quente o que aparentemente influenciou na avifauna. Os bichos estavam bem quietos e vocalizavam muito pouco. Logo na entrada registrados com surpresa um bando de polícia-inglesa-do-sul (Strunella superciliaris). Até então nunca havia visto eles no local e foi o 1º registro para o município no Wiki Aves. Mesmo assim conseguimos alguns lifers para a Helena como a tesoura-do-brejo (Guberneter yetapa), patativa (Sporophila plumbea) e caboclinho (Sporophila bouvreuil). Entrando na mata ciliar registramos três indivíduos de cisqueiro-do-rio (Clibanornis rectirostris) e um casal de chorozinho-de-chapéu-preto (Herpsilochmus atricapillus), que também eram novidades para nossa cliente. No meio da trilha nos deparamos com uma mega árvore caída, que nos obrigou a retornar e dar a volta para tentarmos algo do outro lado. No meio do caminho uma codorna-amarela (Nothura maculosa) vinha correndo em nossa direção. Antes do bicho nos perceber foi possível fazer algumas boas imagens. Novamente o forte calor nos fez encerrar a trilha por volta das 12h. Confira a lista completa da trilha: http://goo.gl/7af21a.

Na tarde do 2º dia visitamos a região da Mãe D’Água e os poucos minutos por lá recompensaram a manhã de pouco passarinho. Logo no início conseguimos registrar a guaracava-modesta (Sublegatus modesta) e mais acima um incrível bando de cerca de 8 indivíduos de campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens) nos deixou bastante satisfeitos. Não bastasse um casal de cigarra-do-campo (Neothraupis fasciata) também facilitou bastante. Todos esses lifers muito desejados pela Helena.Confira a lista completa da trilha: http://goo.gl/aczrtU.

cipo_06_04_002

Agradecemos ao Parque Nacional da Serra do Cipó pelo apoio ao turismo de natureza. Agradecemos nossa cliente pela confiança em nosso trabalho e pelos ótimos momentos juntos. Sempre um prazer poder receber fotógrafos que estão no TOP 100 do Wiki Aves e, mais ainda, por podermos ajudar a Helena a chegar às 800 espécies fotografadas. Gostou no relato? Viva também as incríveis experiências de 0bservar e fotografar vida silvestre conosco. Conheça esse e outros roteiros em nossa página de PRODUTOS, entre em CONTATO e garanta já sua data.

Até a próxima,

EDUARDO FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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