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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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June27

Trip | Serra da Mantiqueira 16.06.23

 

PARTE 01

 

A Serra da Mantiqueira possui cerca de 10% de sua área no Estado do Rio de Janeiro, 30% em São Paulo e os demais 60% estão localizados no Estado de Minas Gerais. Conhecida como “serra que chora”, devido à quantidade de água que escoa pelos seus vales, possui diversas unidades de conservação, como a APA Serra da Mantiqueira, dividida entre os três estados, o PARNA do Itatiaia, dividido entre Minas e Rio, e os Parques Estaduais Serra do Brigadeiro e Serra do Papagaio (Minas) e Campos do Jordão (São Paulo). Além dessas existem várias outras importantes Reservas Particulares. Devido à altitude, o inverno na Serra da Mantiqueira tem temperaturas baixas, com a ocorrência da névoa no começo da manhã e geada frequentes. É comum os termômetros registrarem temperaturas que chegam perto de 0°C ou menos, sendo que a menor temperatura registrada numa cidade da serra foi de -07,3°C em Campos do Jordão – SP. Nos picos mais elevados da serra, o frio pode ser mais intenso e as temperaturas podem ser negativas. Há registros de precipitações de neve em picos.

 

Nos dias 23-26 de junho de 2016 participei de um roteiro pela Serra da Mantiqueira preparado por um dos nossos parceiros, o guia Kassius Santos. Chegamos na quinta-feira no município de Itamonte/MG e a primeira localidade visitada foi a RPPN François Robert Arthur, uma fazenda agroecológica que produz frutas e mel baseados em conceitos de sustentabilidade associados à conservação dos recursos naturais. Fomos muito bem recebidos pela administradora da fazenda, Endy Arthur, que também atua com esportes de aventura. Partindo da iniciativa da Endy e dos trabalhos de levantamento, recém iniciados pelo Kassius, a RPPN pretende se tornar mais uma opção para observadores de aves interessados em espécies da Mata Atlântica. A beleza cênica é incrível e no meio dela está localizado o chalé que funciona como uma casa de hóspedes para visitantes, turistas e pesquisadores. Quase todo em madeira, a estadia no local já é uma experiência a parte. Tão logo descemos a bagagem já seguimos em busca dos passarinhos.

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Estou mais habituado ao Cerrado e fotografar em Mata Atlântica sempre é um grande desafio. Inicialmente pela pouca experiência em campo e em segundo pela natural dificuldade de registrar os bichos florestais, já que geralmente eles são bem mais ariscos. Além disso, durante boa parte do tempo a disponibilidade de luz é mínima, o que dificulta mais ainda a obtenção de boas imagens. Considerando tudo isso, sempre crio poucas expectativas.  Por esses motivos a contratação de um guia local experiente é fundamental para a otimização dos passeios. Minha visita ao local, além de um desejo pessoal, teve o objetivo de conhecer os locais e o trabalho desenvolvido pelo Kassius. Escolha certeira. O homem é um bruxo e conseguiu mostrar praticamente 100% de todas as principais espécies que eu gostaria e, para completar, em situações bastante favoráveis para fotografia.

 

Logos nos primeiros metros conseguis boas fotos da maria-preta-de-bico-azulado (Knipolegus cyanirostris) e do picapauzinho-verde-carijó (Veniliornis spilogaster). Logo após começaram a aparecer algumas preciosidades como o fruxu (Neopelma chrysolophum), o lindo sanhaço-pardo (Orchesticus abeillei) e o complicadíssimo tapaculo-preto (Scutalopus speluncae). Seguindo pela trilha três dos maiores desejos da viagem dão as caras: os lindíssimos caneleirinho-de-chapéu-preto (Piprites pileata), quete (Microspingus lateralis) e sanhaçu-frade (Stephanophorus diadematus). Nesse meio tempo também apareceu o beija-flor-de-topete (Stephanoxis lalandi). Fiquei tão encantado com o bicho olhando ele pelo binóculo que esqueci de tirar foto (rsrsrs). Paramos um pouco para reunir com a Endy para um cafezinho e um bate papo sobre passarinho e turismo. Na volta para nosso chalé, ficamos a maior parte do tempo atrás de um falcão-caburé (Micrastur ruficollis), que não deu chances. O máximo que consegui foi uma foto sem cabeça (rs)… vai essa mesmo. Bicho interessantíssimo! Voltamos para o chalé e, enquanto acendíamos o fogão de lenha para aquecer a água do banho, algumas corujas-listrada (Strix hylophila) vocalizavam lá fora. Saíamos, atraímos e fotão! Bicho maravilhoso! Só nos restava um banho, comer e descansar para o próximo dia.

 

No dia seguinte acordamos bem cedo para dar mais uma rápida volta pela trilha antes de seguir para nosso próximo ponto. Valeu demais, consegui mais dois registros bem legais: o estalinho (Phylloscartes difficilis) e o trepador-quiete (Syndactyla rufosuperciliata). Foram mais de 90 espécies registradas. Clique aqui e confira a lista completa. Juntamos as bagagens e equipamentos e seguimos cerca de 40km de estrada até a RPPN Alto Montana, nossa próxima parada.

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Chegamos na Alto Montana e, antes de almoçar fizemos um rápido tour pelo local, que era um antigo hotel chamado Casa Alpina. Paisagem incrível mesclada com intervenções e edificações tipicamente europeias alpinas. Me chamou atenção uma belíssima população de araucárias (Araucaria angustifolia), árvore pela qual sou completamente apaixonado. Administrada pelo gerente Paulo, que nos recebeu muito bem, a RPPN Alto Montana possui uma extensa área de muita floresta e aves. Em levantamento conduzido pelo Kassius, foram registradas mais de 280 espécies dentro dos limites da reserva.

 

Logo na chegada avistamos um casal de caurés (Falco rufigularis) na porta da cozinha e o macho alimentava-se de um bico-de-lacre (Estrilda astrild). Após o almoço seguimos por uma das trilhas da RPPN e conseguimos registrar algumas espécies bem interessantes como o tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus), o grimpeiro (Leptasthenura setaria), o verdinho-coroado (Hylophilus poicilotis), pintassilgo (Spinus magellanicus), gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus) entre outras. Foram mais de 60 espécies registradas. Clique aqui e confira a lista completa.

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Encerramos a segunda excelente etapa da viagem com muita paisagem, passarinho e fotografia. Ambas as RPPNs são muito bem administradas e possuem um ótimo potencial para o Turismo de Natureza e Científico, sobretudo o de Observação de Aves. Agradeço a Endy e ao Paulo pelo carinhoso convite e recepção em suas pousadas e ao Kassius pela primorosa condução, atraindo as principais espécies da região. Quer conhecer esse roteiro? Clique aqui para mais informações.

 

Continua…

 

Um abraço,

 

EDUARDO FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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