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October04

TRIP | Natureza na RPPN Santuário do Caraça

 

 

A Reserva Particular do Patrimônio Natural Santuário do Caraça é uma Unidade de Conservação de âmbito federal e tal título se deve a Província Brasileira da Congregação da Missão que, por iniciativa própria e pelo seu compromisso socioambiental, reservou  pouco mais de 10.000 hectares como área de conservação, com o intuito de garantir contra possíveis interesses danosos ao seu patrimônio natural. A reserva integra área destinada às Reservas da Biosfera da Serra do Espinhaço e da Mata Atlântica, reconhecidas pela UNESCO em 2005. O nome se deve a silhueta de uma grande face, que pode ser observada em uma das faces da Serra que emoldura o Santuário.

 

A Serra do Caraça situa-se em uma região de transição entre os domínios do Cerrado e da Mata Atlântica. Na RPPN Santuário do Caraça existem duas formações vegetais básicas, que são as campestres e as florestais. As campestres, dentro do domínio do Cerrado, e as florestais, dentro do domínio da Mata Atlântica. Destaca-se o campo rupestre, fitofisionomia dominante na Serra do Caraça, sendo predominantemente herbáceo-arbustivo, mas com a presença eventual de árvores pouco desenvolvidas. A vegetação dos campos rupestres da Serra do Caraça é pouca homogênea. Observamos que sua estrutura e composição modificam-se gradativamente à medida que aumentam a altitude, o teor de matéria orgânica e/ou a umidade. Neste ambiente, a maioria das plantas cresce nas frestas de rochas, onde a matéria orgânica e a umidade podem acumular-se mais facilmente, e poucas crescem diretamente nas rochas nuas.

 

Nos dias 19, 20 e 21 de setembro de 2017 recebemos a observadora de natureza, Miss Sheelagh Barnard, da Inglaterra, para uma rápida passagem em Minas Gerais durante sua trip pelo pelo Brasil.

 

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Chegamos no Santuário do Caraça já na hora do jantar (18h30), o que fizemos logo após darmos entrada na pousada. Comemos bem rápido, compramos uma garrafa de vinho e descemos para frente da Igreja, na expectativa de conseguir ver o lobo-guará (Chrysocyron brachyurus) já na primeira noite. Se você não está entendendo muito bem a relação entre igreja, vinho e lobo, clique aqui. Poucos minutos após chegarmos, um grupo de cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) se aproximou, no estacionamento do Caraça. Foi possível fazer alguns cliques. Bem, a garrafa de vinho acabou e nada do lobo aparecer. Um forte vento trouxe frio, o que dificultou bastante a espera. Acabamos abortando, pois era preciso descansar após uma longa viagem e um longo dia que estaria por vir.

 

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No dia seguinte acordei bem cedo, às 05h00 da manhã, para conferir se o lobo havia aparecido e, logo quando abro a porta, dou de cara com o bicho comendo na bandeja aparentemente intacta, o que significa que ele realmente não apareceu durante a noite. Por alguns minutos era o frio, eu e o lobo. Já presenciei essa cena centenas de vezes, mas sempre parece a 1a. Um dos animais mais espetaculares que já vi. Após comer um pouco o bicho passeou um tempo pelo santuário até desaparecer em um das trilhas.

 

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O Sol apareceu e seguimos então para uma das trilhas em busca dos macacos-guigós (Callicebus nigrifrons), um dos principais objetivos da Sheellagh. Pouco tempo após iniciarmos nossa caminhada, o tempo mudou completamente e chegou a garoar um pouco, o que nos forçou a abortar. Retornamos para o santuário para o café-da-manhã, que se inicia às 07h30. Enquanto tomávamos nosso café o tempo melhorou e então partimos novamente em busca dos macacos. Porém, antes de iniciarmos nossa busca, um casal de caburés (Glaucidium brasilianum) estava em um poleiro a altura do olho e não deu para resistir, passamos quase 01h na frente dos bichinho, observando, fotografado e filmando. Ainda ali por perto, vários mansos jacuaçus (Penelope obscura) também renderam ótimos retratos. Quando retomamos a trilha, não demorou muito e encontramos o nosso primeiro grupo de guigós, que deram ótimas chances de observação e fotografia.

 

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Não bastasse os bichos serem super bonitos, tivemos a sorte de observarmos um macho carregando um filhote bem novo, provavelmente com poucos meses de vida. Sim, nessa espécie os machos que carregam os infantes por todo o tempo, entregando para as fêmeas apenas na hora de amamentar. As famílias desses macacos se organizam a partir de um casal monogâmico e seus filhotes, que após 3 anos de idade precisam sair do grupo e procurar outro parceiro, iniciando assim outra família. Os grupos variam entre 3 a 5 indivíduos, sendo raro observar 6 em uma mesma família.

 

2017.06.09_021 caraca 2017.06.09_022 caracaApós um intervalo para o almoço e um rápido descanso, ficamos no entorno do Santuário observando alguns passarinhos, principalmente saíras. Uma das grandes vantagens de receber estrangeiros é que praticamente todas as espécies de aves são novidades para eles. Então, até mesmo aves comuns como um tico-tico e um canário-chapinha, merecem seus minutos de atenção.

 

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Antes de irmos para o jantar, uma surpresa, o lobo já estava na frente da igreja. Dei uma corrida até o quarto da Sheelagh, que por sorte era bem perto, e a chamei para ver o bicho. Rapidamente ela chegou e ai foi só curtir o espetáculo. O bicho subiu várias vezes, dando todas as oportunidades possíveis para curtir a beleza daquela animal. Após o jantar, ele ainda retorno algumas vezes, dessa vez antes mesmo do nosso vinho acabar. Dessa vez foi possível voltar mais cedo para o quarto e descansar para o próximo dia.

 

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Acordamos novamente às 05h, mas dessa vez pouca comida restava por lá e nada do lobo. Aproveitamos as horas antes do almoço e ficamos atrás de mais aves. Encontramos várias muito interessantes e que renderam belas fotografias.

 

2017.09.19_010 caraça 2017.09.19_011 caraça 2017.09.19_012 caraçaApós o café seguimos para uma trilha de campo-rupestre, onde esperávamos encontrar algumas espécies diferentes dos de mata. Não deu outra, o dia estava lindo e conseguimos registrar muita coisa legal, com destaque para o rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda), o pequenino papa-moscas-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris) e o endêmico beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus).

 

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Dias fantásticos onde conseguimos atingir todos os principais objetivos. Registramos, além dos mamíferos, mais de 80 espécies de aves (confira a lista completa). Agradecemos à sempre carinhosa atenção dos funcionários do Caraça. Agradecemos ao Fred Tavares, da Brasil Aventuras, pela parceria e confiança em nosso trabalho.

 

Um grande abraço,

 

EDUARDO FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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