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September11

TRIP | Birdwatching no Espinhaço Sul

 

 

Cortando mais de 1000 quilômetros em Minas Gerais e Bahia, a Serra do Espinhaço é a única cordilheira montanhosa do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos do mundo. Abrigando paisagens deslumbrantes e biodiversidade riquíssima, o Espinhaço é certamente um dos melhores destinos para observação e fotografia de natureza do mundo. Nessa expedição visitamos a porção Sul da cordilheira, principalmente as Serras da Moeda e do Cipó.

 

Serra da Moeda é uma cadeia de montanhas localizada no Quadrilátero Ferrífero. Possuindo Unidades de Conservação, como o Monumento Natural da Serra da Calçada, configura-se como uma importante área para a conservação da flora e fauna. A Serra do Cipó também está localizada no Espinhaço é protegida por importantes reservas, como a APA Morro da Pedreira e o Parque Nacional da Serra do Cipó. A altitude de ambas porções serranas varia de 700 a 1600 metros e a vegetação acima de 1000 metros é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente as Serras da Moeda e do Cipó são destinos procurados por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza.

 

Nos dias 01, 02 e 03 de setembro de 2017 recebemos os observadores de aves Marcelo Müller, Luiz Moschini e Jonatas Miatake, que conheciam muito pouco do Cerrado e, portanto, havia muita espécie nova para avistar.

 

Começamos nosso roteiro visitando a Serra da Moeda, onde buscávamos registrar algumas espécies típicas de campos rupestres sobre minério de ferro. Apesar da semana quente, havia chegado uma frente fria trazendo muito vento e frio para nossa região e isso acabou atrapalhando bastante, sendo que uma das espécies comuns nesse local, o rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda), nem sequer apareceu. Foi a primeira vez, em anos de trabalho, que não consegui avistar essa ave. Paciência, cedo ou tarde iria acontecer. Entretanto, algumas outras deram  algumas chances, como foi o caso da choca-de-asa-vermelha (Thamnophilus torquatus) e o tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata). Outra grande surpresa foi o registro de um jovem de águia-cinzenta (Urubitinga coronata), que sobrevoou nossa cabeça por alguns minutos, enquanto um gavião-de-rabo-branco (Geranoaetus albicaudatus) a perseguia.

 

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Após uma breve parada para o almoço, passamos no Parque Municipal Roberto Burle Marx, em Belo Horizonte, para registrarmos o cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla), que não decepcionou. Apareceu e deu um show, com ótimas oportunidades de fotografia. Ainda tivemos oportunidade de clicar de perto um macho de choró-boi (Taraba major), uma das mais bonitas espécies da família Thamnophilidae. Antes de irmos embora, um gavião-de-cauda-curta (Buteo brachyurus) passou por cima de nós e foi possível fazer alguns registros.

 

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Antes de partirmos para a Serra do Cipó, fizemos uma rápida passada pela Lagoa da Pampulha, onde conseguimos mais uma porção de lifers para o grupo. Várias espécies migratórias já chegaram e a lagoa está lotada de aves. Conseguimos avistar e registrar várias, entre elas os maçarico-solitário (Tringa solitaria) e o maçarico-grande-de-perna-amarela (Tringa melanoleuca). O tapicuru (Phimosus infuscatus) apareceu em dupla e também permitiu boas imagens. As capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), interessantes animais, sendo o maior roedor do mundo, resistem bravamente à pressão de removê-las do local e lá também estavam, aproveitando o Sol que estava prestes a se pôr. Em outro ponto conseguimos registrar um casal de balança-rabo-de-máscara (Polioptila dumicola) e um grande bando de paturi-preta (Netta erythrophthalma).

 

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No dia seguinte visitamos o distrito de Lapinha da Serra, em Santana do Riacho, em busca das espécies endêmicas dos campos rupestres mineiros. Logo no início tivemos um encontro surpreendente, o ameaçado lenheiro-da-serra-do-cipó (Asthenes luizae), que costuma dar um enorme trabalho, deu um muito mole. O “augustinho”, beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus), apesar de estar trocando sua plumagem, também apareceu e rendeu excelentes imagens. Ainda em lapinha da Serra, conseguimos avistar várias seriemas (Cariama cristata), uma bela águia-serrana (Geranoaetus melanoleucus) e uma sanã-carijó (Mustelirallus albicolls). Procuramos muito pelo pica-pau-chorão (Veniliornis mixtus) e pelo pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis) que nunca havia faltado nos nossos roteiros, mas infelizmente esses dois não deram as caras.

 

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No último dia de viagem, visitamos o Parque Nacional da Serra do Cipó e o dia rendeu uma lista incrível de espécies e boas fotos, além de vários lifers. Percorremos cerca de 04 quilômetros de trilhas e conseguimos registrar muito bem espécies como o batuqueiro (Saltatricula atricollis), beija-flor-de-garganta-verde (Amazilia fimbriata), bagageiro (Pharomyias murina), o azulão (Cyanoloxia brissonii) entre outros.

 

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Já bastante satisfeitos, mal sabíamos que duas grandes e inesperadas novidades ainda estavam por vir. Conseguimos avistar, atrair e registrar muito bem um belíssimo indivíduo de falcão-relógio (Micrastur semitorquatus), que nos proporcionou o momento alto da viagem, com a adrenalina elevadíssima. Antes mesmo de nos acalmarmos, um casal de gaturamo-rei (Euphonia cyanocephala) desceu das copas e rendeu ótimas imagens.

 

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Antes de encerrarmos a trilha, ainda deu tempo de fazer outras belas imagens do pitiguari (Cyclarhis gujanensis), trinca-ferro (Saltator similis) e da ariramba (Galbula ruficauda).

 

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Ainda faltavam alguns desejos dos nosso clientes e então aproveitamos os últimos instantes da viagem para buscar imagens da choca-do-nordeste (Sakesphorus cristatus), soldadinho (Antilophia galeata) e do incrível campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens), que apareceu no último minuto da viagem.

 

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Esse foi mais um daqueles roteiros complicados, porém surpreendentes. Algumas espécies comuns não deram as caras e, por outro lado, algumas novidades apareceram. Registramos mais de 150 espécies em 03 dias de viagem e nossos clientes fotografaram mais de 20 espécies novas para suas listas pessoais. Clique aqui e confira a lista completa.

 

Agradecemos a todos os parceiros da Destinos MG que são fundamentais para o sucesso de nossos roteiros. Agradecemos também a nossos clientes pela confiança em nós depositada.

 

Grande abraço,

 

EDUARDO FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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