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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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July19

TRIP | Birdwatching no Espinhaço Sul

 

 

Cortando mais de 1000 quilômetros em Minas Gerais e Bahia, a Serra do Espinhaço é a única cordilheira montanhosa do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos do mundo. Abrigando paisagens deslumbrantes e biodiversidade riquíssima, o Espinhaço é certamente um dos melhores destinos para observação e fotografia de natureza do mundo. Nessa expedição visitamos a porção Sul da cordilheira, principalmente as Serras da Moeda e do Cipó.

 

Serra da Moeda é uma cadeia de montanhas localizada no Quadrilátero Ferrífero. Possuindo Unidades de Conservação, como o Monumento Natural da Serra da Calçada, configura-se como uma importante área para a conservação da flora e fauna. A Serra do Cipó também está localizada no Espinhaço é protegida por importantes reservas, como a APA Morro da Pedreira e o Parque Nacional da Serra do Cipó. A altitude de ambas porções serranas varia de 700 a 1600 metros e a vegetação acima de 1000 metros é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente as Serras da Moeda e do Cipó são destinos procurados por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza.

 

Nos dias 14, 15 e 16 de julho de 2017 recebemos os observadores e fotógrafos de natureza José Maria e seu filho João Gondim para um roteiro de três dias.

 

DIA 01 

 

Começamos nosso roteiro visitando o Monumento Natural da Serra da Calçada em Brumadinho/MG e, diferentemente da semana passada (clique aqui e veja o relato), dessa vez encontramos condições climáticas bem menos complicadas. O frio e o vento permanecem, porém sem neblina, o que ajudou bastante. Logo no início já tivemos a primeira oportunidade de lifer, fotografando o rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda). Não facilitou como normalmente faz, mas rendeu boas imagens. Ao longo da manhã vimos outros deles. Pouco mais a frente, encontramos dois indivíduos de papa-moscas-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris). Enquanto o Zé Maria e o João fotografavam eles, escutei a vocalização da maxalalagá (Micropygia schomburgkii) em um capim bem próximo, o que me surpreendeu bastante. Poucos minutos depois, a saracura deu um salto no vale, descendo bastante até outro ponto. O João chegou a apontar a câmera enquanto o bicho plainava, mas não conseguiu o registro. Bem, apesar de a saracurinha não estar aparecendo, avistá-la de modo tão inesperado nos encheu de confiança para tentarmos fotografá-la. Seguimos, então, para o ponto onde ela pousou, preparamos o equipamento e começamos a atrair o bicho. Após alguns minutos de espera, ela apareceu na borda do capim, mas voltou e só atravessou pouco mais atrás. Passou muito rápido, sem nenhuma possibilidade de fotografia. Apesar da grande emoção em vê-la novamente, infelizmente não foi dessa vez que o bicho voltou a dar mole. Sigo tentando…

 

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Tentei atrair o formigueiro-da-serra (Formicivora serrana) e ele não chegou nem a responder. Não insistimos muito e continuamos na trilha, até escutarmos o tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata) que, após algumas tentativas, apareceu em bons poleiros limpos. Antes de finalizar, já no caminho de volta, avistamos um belíssimo macho de canário-rasteiro (Sicalis citrina), que também rendeu excelentes imagens. Nada havia mais a fazer, paramos para um intervalo. Após o almoço visitamos o Parque Municipal Roberto Burle Marx, em Belo Horizonte/MG, em busca do cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla). Chegamos ao ponto e o bichinho não deu trabalho algum, apareceu bem rápido e rendeu ótimas fotografias. Objetivos alcançados, seguimos viagem para Santana do Riacho/MG e pernoitamos no distrito de Serra do Cipó.

 

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DIA 02

 

O segundo dia começou complicado. Já no caminho para o distrito de Lapinha da Serra, tentamos encontrar o incomum pica-pau-chorão (Veniliornis mixtus) em um ponto em que tenho conseguidos bons registros. Procuramos bastante, nem sinal do bicho. Para não dizer que o tempo dedicado foi em vão, no mesmo local conseguimos outro lifer, o suiriri-cinzento (Suiriri suiriri). Seguimos então para a trilha principal do dia, em busca dos endemismos do Espinhaço. O primeiro objetivo foi o lenheiro-da-serra-do-cipó (Asthenes luizae), que demorou muito até aparecer e, mesmo quando apareceu, deu pouquíssimas chances de fotografia. Mesmo assim foi possível clicar esse que é um dos tesouros do Cipó. O próximo na lista era o beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus) e então fomos atrás do “Augustinho”. Chegando no ponto, nada do pequenino aparecer. Paramos, fizemos um lanche e após uns 30 minutos esperando, resolvi vasculhar a área atrás do beija-flor quando finalmente o encontrei, dançando com uma fêmea, o que acredito ter sido a razão dele estar afastado do seu território tradicional. Na medida que o dia foi esquentando, ele ficou mais ativo e então passou a forragear bastante bem próximos a nós. Foi nessa hora que ele deu seu espetáculo, quando estendi a mão com uma flor e ele veio até mim, se alimentar. O João ficou encantado com o momento e resolveu tentar também e o “Augustinho” não fez feio, voando diretamente para o pequeno ramo na mão do garoto. Antes de retornarmos, também conseguimos encontrar outro animal bastante especial, o lagartinho-de-crista-do-espinhaço (Eurolophosaurus nanuzae), lagarto endêmico da Cadeia do Espinhaço em Minas Gerais.

 

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Antes de iniciarmos a volta, tentamos várias vezes atrair o pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis), que até chegou a responder, mas não apareceu. Era a primeira tentativa de ver o bicho naquele dia. Mal sabíamos que ali começava uma longa saga… Bem, já na volta da trilha, ainda conseguimos outro lifer, o tucão (Elaenia obsercura), que rendeu boas imagens. No caminho ainda encontramos espécies interessantes como a maria-preta-de-penacho (Knipolegus nigerrimus) e o joão-bobo (Nystalus chacuru), que não era lifer, mas é sempre um bicho interessante de observar. Porém, veio o prêmio por ter parado para fotografá-lo, logo ao lado dele, em um pequeno arbusto, estava o campainha-azul, (Porphyrospiza caerulescens), esse sim novidade na lista do Zé Maria e do João. Chegamos então ao segundo local onde poderíamos encontrar o pedreiro-do-espinhaço que, novamente, respondeu rapidamente ao chamado. Aparecer que é bom, nada… se enfiou em um arbusto e não saiu nem com muita reza. Depois, calou-se. Inexplicável a falta de sorte nesse dia, pois essa é uma espécie que raramente causa muito transtorno para fotografar, sendo que nunca encerrei um roteiro sem vê-la em mais de 3 anos visitando a Serra do Cipó.

 

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O relógio marcava 15h, quando decidimos interromper as buscas e parar para almoçar. Logo após um almoço rápido, continuamos nossas buscar. Terceiro ponto, nada… Restava o quarto e último local, daquela que seria certamente a última chance do dia. Poe volta das 16h30 começamos a buscar o bicho e, mais uma vez, ele respondeu. Conseguimos avistar rapidamente dessa vez, porém o bicho entrou novamente em outro arbusto e desapareceu… Eu olhava para o Zé Maria e para o João e percebia que eles já tinham desistido. Andavam arrastando, dado o cansaço de um dia pesado que havia se iniciado às 06h da manhã. Eu, entretanto, queria tentar até o último raio de Sol. Continuei buscando o bicho e, quando não havia muito mais o que fazer, me viro e dou de cara com o passarinho, pousado tranquilo em um mourão de cerca poucos metros de mim. Ergui os braços e chamei o Zé Maria e o João, torcendo muito para o bicho não voar. Quando finalmente ouvi o barulho das câmeras disparando, soltei um sonoro palavrão e abri aquele sorriso…UFA!!! Vida ingrata essa de guia de observação de aves. Sentei no chão e finalmente respirei aliviado, após um dia inteiro procurando aquela ave. Registro importante, considerando que só pode ser visto naquele lugarApesar do desgaste físico, a volta foi bastante animada, com muito alívio por termos conseguido registrar todos os principais objetivos do dia. Restava agora repousar e nos prepararmos para o último dia.

 

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DIA 03

 

No último dia do roteiro visitamos o Parque Nacional da Serra do Cipó e antes mesmo de entrarmos na Unidade de Conservação já conseguimos o primeiro lifer do dia, o difícil canário-do-mato (Myithlypis flaveola), que deu um mole danado. Já dentro do parque, dois presentes, o trinca-ferro (Saltator similis) e o belíssimo tico-tico-de-bico-amarelo (Arremon flavirostris). Logo a frente um canário-do-campo (Emberizoides herbicola) nos tomou um tempo danado, para o bem, pois deu um show e rendeu muitas fotografias. Ainda no parque conseguimos registros de duas espécies nada fáceis de fotografar, o petrim (Synallaxis frontalis) e o ui-pí (Synallaxis albescens).

 

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Antes de encerrarmos decidimos fazer uma última tentativa de fotografar a maxalalagá (Micropygia schomburgkii), em Brumadinho/MG. Viajamos da Serra do Cipó até Nova Lima/MG, onde almoçamos. A tarde seguimos até o local da saracura, que respondeu em local diferente. tentamos ir atrás dela por três vezes, sem sucesso. Para, novamente, não dizer que nossa tentativa foi em vão, já no apagar das luzes, conseguimos o último e um dos mais importantes lifers da viagem, o formigueiro-da-serra (Formicivora serrana), animal de distribuição restrita a Mata Atlântica do sudeste do Brasil, em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Na volta recebemos um presente em forma de pôr-do-sol, coroando essa que foi uma das mais mais divertidas e complicadas viagens de 2017.

 

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Agradecemos aos nossos parceiros, gestores e proprietários de todas as áreas visitadas. Agradecemos também ao sempre gentil atendimento nas pousadas e locais de alimentação visitados. Agradecemos aos nossos clientes pela confiança em nosso trabalho.

 

Grande abraço,

 

EDUARDO FRANCO

 


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  • Posted by Eduardo Franco
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