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July13

TRIP | Birdwatching no Espinhaço Sul

 

Cortando mais de 1000 quilômetros em Minas Gerais e Bahia, a Serra do Espinhaço é a única cordilheira montanhosa do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos do mundo. Abrigando paisagens deslumbrantes e biodiversidade riquíssima, o Espinhaço é certamente um dos melhores destinos para observação e fotografia de natureza do mundo. Nessa expedição visitamos a porção Sul da cordilheira, principalmente as Serras da Moeda e do Cipó.

 

Serra da Moeda é uma cadeia de montanhas localizada no Quadrilátero Ferrífero. Possuindo Unidades de Conservação, como o Monumento Natural da Serra da Calçada, configura-se como uma importante área para a conservação da flora e fauna. A Serra do Cipó também está localizada no Espinhaço é protegida por importantes reservas, como a APA Morro da Pedreira e o Parque Nacional da Serra do Cipó. A altitude de ambas porções serranas varia de 700 a 1600 metros e a vegetação acima de 1000 metros é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente as Serras da Moeda e do Cipó são destinos procurados por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza.

 

Nos dias 07, 08 e 09 de julho de 2017 recebemos o observador e fotógrafo de aves Geraldo Luiz e sua esposa Neusa para um roteiro em busca das especiais e endêmicas espécies de aves do Espinhaço.

 

Dia 01: Com 6,1 ºC e uma sensação térmica de -9 ºC, a capital mineira marcou sua menor temperatura desde 1975, sendo o dia mais frio dos últimos 42 anos. Essa era a manchete dos principais jornais nos dias que antecederam o início do primeiro roteiro de julho. A situação climática já apontava que esses seriam dias complicados e que encontrar aves não seria nada fácil. Devido ao tempo frio, no primeiro dia adiamos o início das atividades em 01h e mesmo assim encontramos a Serra da Moeda, nossa primeira locação, completamente tomada pela neblina. Ignoramos e iniciamos a trilha, que até apresentava boa atividade de aves nos primeiros passos. Entretanto, quando subimos um pouco mais, não dava para enxergar nada. Abortamos a subida e paramos onde ainda era possível encontrar algum passarinho. Conseguimos, após muita procura, encontrar dois rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda), que seria o primeiro lifer da viagem. Essa é uma espécie que costuma ser bastante amigável com fotógrafos, pousando em poleiros limpos e permitindo boa aproximação. Surpreendentemente, naquele dia o bicho resolveu complicar. Forrageando a poucos centímetros do chão, o bicho não subiu sequer 1 vez. Como não havia muito o que fazer, insistimos por cerca de 40 minutos até que pouco antes de desistirmos, os dois indivíduos apareceram no alto de um arbusto por alguns segundos, possibilitando o registro que gostaríamos.

 

A ideia inicial era continuarmos nessa trilha e tentarmos outras espécies, mas apesar da hora avançada, o tempo não mudou e a neblina seguia estacionada na trilha, o que nos fez desistir e antecipar nossa visita ao Parque Municipal Roberto Burle Marx, para registrar o cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla). Chegando lá encontramos o amigo, guarda-municipal e observador de aves Sandro Figueiredo, que monitora as aves do parque há anos e nos municia de importantes informações. Ele nos acompanhou até o ponto dos cuitelões que rapidamente apareceram e deram o show de sempre, permitindo ao Geraldo excelentes oportunidades de fotografia.

 

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Antecipamos também nossa viagem para Santana do Riacho/MG, onde visitaríamos os distritos de Serra do Cipó e Lapinha da Serra. Chegando ao município, paramos para almoçar uma boa comida mineira ao fogão de lenha. No caminho para a pousada fizemos uma rápida parada no mirante do Morro da Pedreira, onde alguns passarinhos fizeram pose para foto e, apesar de comuns, renderam belas imagens. Fizemos nosso check-in na pousada e aproveitamos o resto da tarde para irmos atrás de beija-flores, principalmente o beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus) e o chifre-de-ouro (Heliactin bilophus). O vento era forte e o frio também apertava. O tempo nublado impedia que o Sol ajudasse e poucas aves estavam ativas. Visitamos vários pontos conhecidos e nada dos beija-flores. No último local que checamos, avistamos um casal de Heliactin bilophus que passou voando muito rápido. Aguardamos um pouco e a fêmea retornou ao mesmo ponto, visitou algumas flores e possibilitou alguns registros. Esperamos por um bom tempo que o macho também voltasse, o que não ocorreu e então decidimos voltar para a pousada para um descanso e jantar, antes de nos recolhermos e prepararmos para o segundo dia. Apesar das condições bastante complicadas, conseguimos três dos poucos lifers que o Geraldo tinha possíveis na região.

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Dia 02: Como tradicionalmente, o segundo dia é dedicado ao distrito de Lapinha da Serra e os endêmicos do Espinhaço Mineiro. Acordamos bem cedo e seguimos viagem até uma das RPPNs que existem na região. Como era de se esperar, muito frio, vento e neblina. No primeiro ponto que paramos, tentamos encontrar o pica-pau-chorão (Veniliornis mixtus), avezinha bastante complicada de se localizar na vegetação, sobretudo em uma época que vocaliza bem pouco. Paramos o carro e logo que descemos, para nossa surpresa, escutamos a vocalização do bicho. Rapidamente nos deslocamos até a origem do som e, após algum tempo procurando, localizamos um macho. Arisco, não se mostrou muito e rendeu apenas uma imagem bastante ruim e desapareceu. Seguimos procurando por um tempo e até localizamos um ninho, que não foi visitado naquele momento. Apesar de termos escutado o bicho por mais umas duas vezes, não conseguimos novas oportunidades de fotografia e então decidimos passar para o próximo objetivo.

 

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Chegamos ao próximo ponto e as condições climáticas eram terríveis. Realmente não existe melhor forma de explicar a não ser mostrando (veja o vídeo abaixo). Um vendaval absurdo dificultava até mesmo andarmos. Não havia mais o que fazer senão encarar e buscar nossos objetivo. Após andarmos um pouco, consegui ouvir o lenheiro-da-serra-do-cipó (Asthenes luizae). Tentei atraí-lo e, com muita sorte, o bicho também encarou o vento e posou algumas vezes bem na nossa frente. Seguimos para o próximo ponto, onde buscávamos o beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus), o famoso Augustinho da Serra do Cipó (apelido dado a um indivíduo bastante manso). Chegamos ao local e o bicho não estava lá. Aguardamos um bom tempo e nada. Quando minha preocupação aumentou muito, finalmente o bicho apareceu, porém com um curioso comportamento, pousando a poucos centímetros do chão. Acreditamos que esse comportamento tinha objetivo de se proteger do forte vento. Enquanto aguardava outras oportunidades de fotografar o bicho, tentei atrair outras espécies e um papa-moscas-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris) nos ocupou por um tempo. Após algumas tentativas o Geraldo conseguiu as imagens que gostaria do bicho. O tempo melhorou e foi possível, finalmente, ver a lindíssima paisagem da Lapinha da Serra, que encantou o casal. Na volta até o carro, uma surpresa presenteou nossa insistência face às adversidades climáticas do início do dia, um casal de pica-pau-chorão (Veniliornis mixtus), dessa vez bem mais manso, rendeu excelentes imagens dessa incomum espécie. Já no carro e voltando, paramos para clicar um gibão-de-couro (Hirundinea ferruginea) quando a Neusa nos chamou atenção para um beija-flor branco… quando consegui visualizar o bicho, não hesitei e gritei: Desce do caro, é o chifre-de-ouro macho! Praticamente saindo pela janela, conseguimos reencontrar o bicho e fazer algumas rápidas fotos.

 

 

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Fizemos uma parada no povoado de Lapinha da Serra para almoçar no Restaurante Caminhos da Serra do parceiro Marquinhos. Aproveitamos para descansar um pouco e recuperar as energias gastas enfrentando a ventania da manhã. Ainda faltava uma espécie e então partimos em busca do pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis). Para nossa sorte, logo que tentei atrair o bicho, um indivíduo respondeu e rapidamente o localizei. Fizemos algumas fotos e depois foi só aguardar o bicho se locomover para pontos melhores. Conseguimos ótima aproximação, enquanto o bicho forrageava pelo encharcado solo do local. Após muita dificuldade, os resultados não poderiam ser melhores e conseguimos ótimos registros dos 4 objetivos daquele dia. Na volta, o presente ficou por conta da belíssima Lua, que nascia gigante por detrás do horizonte emoldurado pela Serra do Cipó.

 

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Dia 03: Com todos os principais objetivos já conquistados, no último dia o Geraldo resolveu antecipar seu retorno para o interior de São Paulo, já que havia vindo de carro e tinha muita estrada pela frente. No caminho fizemos uma rápida parada em Belo Horizonte, onde visitamos o Parque Municipal da Serra do Curral em busca do capacetinho-do-oco-do-pau (Microspingus cinereus) que não apareceu.

 

Agradecemos aos nossos parceiros, gestores e proprietários de todas as áreas visitadas. Agradecemos também ao sempre gentil atendimento nas pousadas e locais de alimentação visitados. Agradecemos aos nossos clientes pela confiança em nosso trabalho.

 

Grande abraço,

 

EDUARDO FRANCO

 


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  • Posted by Eduardo Franco
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