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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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November05

Espinhaço – Cipó + Moeda

 

 

Considerada a única cordilheira do Brasil, o Espinhaço se estende por mais de 1.000 quilômetros nos Estados de Minas Gerais e Bahia. Passando por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, destaca-se por ser um dos maiores centros de endemismos do planeta e é, portanto, um dos melhores e mais procurados destinos para turismo de observação e fotografia de natureza. Nessa viagem levamos o observador de aves Justino de Paula, pela porção Sul da cadeia, com destaque para as Serras da Moeda e do Cipó.

 

Iniciamos nossa viagem visitando o distrito de Lapinha da Serra com o objetivo de encontrar as grandes estrelas dos campos rupestres da Serra do Cipó. No início da trilha, apesar do tempo ruim, observamos alguma atividade e conseguimos já avistar algumas espécies como baiano, bico-de-veludo e joão-de-barro.

 

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Ali por perto pude escutar a vocalização de um dos objetivos do dia, o beija-flor-de-gravata-verde e não demorou muito para localizarmos. Tivemos paciência em aguardar que ele voltasse para algum dos poleiros mais interessantes e já conseguimos colocar o gravatinha na conta.

 

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Com as condições climáticas um pouco melhores, mais espécies foram aparecendo enquanto seguíamos pela trilha. O pequenino e bastante territorialista papa-mosca-de-costas-cinzentas foi um desses. Chegou bem pertinho, rendeu excelentes imagens. Enquanto isso já se ouvia os altos chamados do rabo-mole-da-serra, que forrageava entre as rochas e as canelas-de-ema, poleiro esse que aproveitamos para clicá-lo. Alguns metros acima o segundo grande objetivo da do dia jé parecia perceber nossa aproximação. O lenheiro-da-serra-do-cipó vocalizava alto e não demorou muito para termos boas chances de observar essa tímida espécie. Sempre vale comemorar essa que geralmente dá muito trabalho.

 

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Próximo daquele local uma voz não muito comum ali me chamou a atenção e rapidamente percebi os movimentos do caminheiro-de-barriga-acanelada. Pela primeira vez eu encontrava aquela espécie naquele local. Estava muito ativa e respondeu prontamente ao playback. O pedreiro-do-espinhaço, terceiro e último grande objetivo deu um certo trabalho e exigiu alguma paciência, mas também apareceu e entrou na nossa lista. Fechamos ali o trio mais desejado do roteiro e partimos para tentar alguns bônus.

 

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O primeiro deles foi o papa-moscas-do-campo. Esse ameaçada espécie está cada vez mais comum nos campos altos do Cipó. Tenho tido a oportunidade de encontrá-los cada vez mais, o que tenho comemorado bastante. Esse passarinho é bastante exigente em seus ambiente e muito sensível a alterações que podem acabar dificultando sua ocorrência por ali. Para encerrar aquele dia em grande estilo, conseguimos avistar e clicar o difícil tapaculo-serrano, espécie que nem sempre sai da brenha o suficiente para bons avistamentos.

 

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A manhã seguinte guardava uma das maiores surpresas e certamente um dos encontros que mais comemorei em toda minha vida. Por muitos e muitos anos (quase uma década) eu buscava uma única chance de avistar o super ameaçado macuquinho-da-várzea. Tinha uma enorme lista de locais onde havia registrado sua presença, mas nunca uma real chance de colocar meus olhos nele. Um dos locais que eu mais tentava era justamente nos brejos do alto da Serra do Cipó e foi lá que finalmente tive a chance de ver e fotografar essa espécie tão interessante. Melhor ainda que não foi apenas uma rápida chance e sim um bom tempo podendo observar sua forma de se locomover, parecendo muito mais um pequeno mamífero, com curtos e rápidos saltos sobre o solo. Com alguma paciência, foi possível conseguir algumas boas e raras imagens esse espécie. Viva!!!

 

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Naquele mesmo local ainda avistamos outras espécies importantes como o canário-do-brejo, o tico-tico-do-banhado, outro pequeno grupo de papa-mosca-do-campo e mais uma grande surpresa, um macho de tapaculo-de-colarinho. Surpresa pois essa era a primeira vez que eu registrava a espécie no Cipó e fazia uma das primeiras imagens dele por ali. O bicho parecia sozinho e um tanto quanto perdido, parecendo que buscava uma parceira. Precisamos de alguma paciência para conseguir a foto, já que ele estava bastante arredio.

 

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Ainda pela manhã, já nos cerrados da parte baixa da serra, ainda conseguimos colocar algumas importantes espécies na lista. Registramos e fotografamos capacetinho-do-oco-do-pau, campainha-azul e bacurauzinho.

 

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Encerramos nossa viagem com uma rápida passada na Serra da Moeda, para fotografarmos a maxalalagá, que novamente deu um baita show e ver melhor o tapaculo-de-colarinho, já que o do Cipó não rendeu as fotos que a espécie merecia.

 

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Agradecemos ao Justino pela confiança em nosso trabalho e pela paciência em permitir que dedicássemos parte do nosso tempo na busca de algumas novidades para nossos roteiros. Sempre vale agradecer a todos os parceiros que ajudam e apoiam nosso trabalho. Muito obrigado!

 

Um grande abraço,

 

EDU FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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