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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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October01

Espinhaço – Moeda + Cipó

 

 

Considerada a única cordilheira do Brasil, o Espinhaço se estende por mais de 1.000 quilômetros nos Estados de Minas Gerais e Bahia. Passando por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, destaca-se por ser um dos maiores centros de endemismos do planeta e é, portanto, um dos melhores e mais procurados destinos para turismo de observação e fotografia de natureza. Nessa viagem levamos os observadores de aves Marne Moreira e Flávio Benites, pela porção Sul da cadeia, com destaque para as Serras da Moeda e do Cipó.

 

Nossa primeira localidade visitada foi aos 1.450m de altitude no alto da Serra da Moeda, em Brumadinho/MG. Logo nos primeiros metros de trilha a primeira grande surpresa, uma coruja-orelhuda, completamente molhada, tentava secar suas penas no pouco de luz que atravessava as densas nuvens daquela manhã. Ficou ali quieta por vários minutos e conseguimos mutas boas imagens dela. Quando atingimos os campos ferruginosos no alto da trilha a vez foi do rabo-mole-da-serra e da corruíra-do-campo, que também ajudaram demais e fizeram pose.

 

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Com o passar das horas as nuvens foram sumindo e o calor aumentando. Com ele as espécies campestres começaram a sair do capim para buscar um pouco de Sol, já que nos últimos 3 dias a chuva foi nãoo deu sossego. Com isso começamos a ter boa luz e boas chances de fotografia, destaque para o belíssimo tapaculo-de-colarinho e a pequenina saracura maxalalagá.

 

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Aos pés da Serra, já em Belo Horizonte, fomos atrás do ameaçado de extinção cuitelão, espécie endêmica do Brasil e que tem sua distribuição natural bastante restrita. Não tivemos muito trabalho e rapidamente encontramos alguns indivíduos. Como brinde, um simpático ferreirinho-relógio também apareceu.

 

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Encerramos nossa passagem pela Serra da Moeda e pegamos estrada rumo a município de Santana do Riacho, onde iríamos visitar a Serra do Cipó. Chegamos a tempo para aproveitar um pouco do Cerrado da região e conseguimos avistar algumas de suas estrelas, como o campainha-azul e o capacetinho-do-oco-do-pau. Esse último restrito ao Brasil Central e ameaçado de extinção pela redução de seu habitat. Por ali também avistamos o batuqueiro, chifre-de-ouro e o bacurauzinho. Celebramos os bons resultados do primeiro dia e fomos para a pousada descansar.

 

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No segundo dia visitamos o Distrito de Lapinha da Serra com objetivo de avistar e fotografar as espécies endêmicas do Espinhaço. A primeira e mais endêmica de todas, o pedreiro-do-espinhaço, não demorou e foi logo recompensando o esforço de pular cedo da cama. Encontramos o passarinho forrageando sossegado em seu ambiente e ai foi só esperar as boas chances de fotografia. Essa espécie foi apresentada para a comunidade apenas em 2012 e tem distribuição restrita à região da Serra do Cipó.

 

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Aos pés dos paredões da Lapinha nos deparamos com a segunda grande surpresa da viagem: um intenso duelo entre duas espécies super enêmicas do Espinhaço, o asa-de-sabre-do-espinhaço e o beija-flor-de-gravata-verde. Pudemos observar de perto as duas espécies brigando no chão, chegando a levantar poeira. O asa-de-sabre bateu bastante no gravata-verde e depois ainda conseguimos avistar os dois empoleirados, enquanto se recuperavam da batalha. Aparentemente o menor levou a pior. Chegou a ficar “desmaiado” algum tempo no chão e quando voou foi possível ver bastante machucado em todo seu corpo, inclusive com algumas penas arrancadas.

 

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O dia estava frio e um vento forte, com rajadas de mais de 40 km/h, que dificultaram muito nossa caminhada. Chegamos a interromper por um momento para esperar alguma melhora, que acabou acontecendo. Aproveitamos a chance e fomos atrás do endêmico que faltava, o lenheiro-da-serra-do-cipó. Antes dele topamos com o diminuto e bravo papa-moscas-de-costas-cinzentas e um casal da imponente águia-serrana. O lenheiro, como sempre, não facilitou. Precisamos muita paciência e insistência até termos uma pequena chance de registrá-lo. Valeu a luta e conseguimos algumas boas imagens do bicho ainda antes do almoço. Manhã completa e com 100% de sucesso, com tods endêmicos clicados.

 

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No final da tarde voltamos a visitar um trecho de Cerrado, dessa vez arbóreo, onde avistamos a linda choca-do-nordeste e os interessantes rapazinho-dos-velhos e joão-bobo. A luz estava incrível e as fotos ficaram bem bonitas. Segundo dia de viagem concluído com resultados positivos e um bocado de dor nas pernas. Eita Espinhaço puxado!

 

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Na última manhã da viagem visitamos o Parque Nacional da Serra do Cipó, em seu trecho que passa por Jaboticatubas, para uma trilha pelas matas ciliares do Rio Cipó. Por lá encontramos espécies interessantes como o trinca-ferr0, saíra-de-chapéu-preto, beija-flor-tesoura-verde, tico-tico-de-bico-amarelo e choró-boi. Todas essas estavam em um bando misto bastante ativo, logo nas primeiras horas da manhã.

 

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Já nas proximidades da margem do rio avistamos um macho de choca-de-asa-vermelha e dentro da mata buscamos e encontramos a pipira-da-taoca, o soldadinho e o casaca-de-couro-amarelo. Na volta ainda avistamos um bando de andorinhas-de-sobre-branco que construiam seus ninhos em uma das torres de observação do parque.

 

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Encerramos nossa viagem com uma lista de mais de 140 espécies registradas (visual e auditivo). Muitas delas lifers e que renderam um bocado de lindas fotografias para nossos clientes. Confira aqui a lista completa. Agradecemos ao Marne e ao Fávio pela confiança em nosso trabalho e por ter escolhido a Destinos MG para visitar o Espinhaço. Agradecems também a todos os nossos parceiros que sempre são fundamentais para o sucesso das nossas viagens.

 

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Um grande abraço e até a próxima,

 

EDU FRANCO – Biólogo e Guia de Turismo EMBRATUR

 


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Espinhaço Sul 2019

 

  • Posted by Eduardo Franco
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