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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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October07

Minas Gerais – Caraça a Botumirim

 

 

Considerada a única cordilheira do Brasil, o Espinhaço se estende por mais de 1.000 quilômetros nos Estados de Minas Gerais e Bahia. Passando por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, destaca-se por ser um dos maiores centros de endemismos do planeta e é, portanto, um dos melhores e mais procurados destinos para turismo de observação e fotografia de natureza. Nessa viagem, de 20 a 29/ago, levamos o observador de aves Paulo Fernando Bertagnolli, para um roteiro completo pela cadeia de serras em busca de suas raridades.

 

Nossa primeira parada foi no Santuário do Caraça, em Catas Altas/MG, e antes mesmo de chegar a sede fizemos uma parada para registrar o primeiro objetivo da viagem, o endêmico beija-flor-de-gratava-verde. O tempo estava fechado e um pouco frio, o que não ajudou muito. Mesmo assim ainda conseguimos avistar o bichinho e conseguir algumas imagens de um indivíduo jovem.

 

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Ainda nos restou algumas horas pela manhã e, aproveitando que as nuvens seguraram o calor continuamos nossa busca por mais alguns dos desejos do Paulo e o próxim foi o formigueiro-da-serra que não deu nenhum trabalho e em pouco tempo já estávamos com as fotos que queríamos. Pouco mais a frente na trilha o foco passou a ser o tapaculo-serrano. Esse, diferentemente dos primeiros, já demandou um bocado de tempo e dedicação. Tentamos por cerca de uma hora atraí-lo para fora da vegetação, em pontos diferentes, mas ele não topou. Decidi então alterar a estratégia e abri uma pequena picada nos densos arbustos em que ele se escondia. Escolhi um local com iluminação favorável e tentei construir um palco com alguns galhos que encontrei no chão. Desta vez, para nossa satisfação a estratégia funcionou e o bichinho veio rapidamente, nos garantindo uma sequência muito boa de fotografias.

 

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A última possibilidade real de lifer por ali era o picapauzinho-de-testa-pintada que não dificultou e logo apareceu, concluindo nossa primeira empreitada em busca de raridades do Espinhaço. Como brinde ainda avistamos alguns guigós que passavam por ali.

 

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Nossa senguda parada foi na Serra do Cipó, em Santana do Riacho/MG, onde iríamos em busca de mais endemismos do Espinhaço e, também antes de chegarmos na pousada já conseguimos colocar mais um lifer na bagagem. O recém descrito pedreiro-do-espinhaço foi logo dando o ar da graça. Precisamos de pouco tempo para conseguir a imagem desejada.

 

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Ficamos hospedados na novíssima Pousada Villa Madorna, que foi toda planejada para receber observadores de aves. Ela é composta por 5 bangalôs que homenageiam as aves da região em seus nomes. Localizada aos pés dos paredões da Lapinha da Serra, o destaque fica para o delicioso e completo café-da-madrugada, tão importante para nossos turistas e clientes.

 

 

No dia seguinte subimos as trilhas dos Campos Rupestres Quartizíticos da Lapinha da Serra em busca do lenheiro-da-serra-do-cipó. Pelo caminho encontramos com uma simpática fêmea do gravata-verde e um pequenino papa-moscas-de-costas-cinzentas. Alguns metros acima encontramos, finalmente, o lenheiro que também não dificultou e se aproximou bastante das nossas lentes.

 

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A noite retornamos aos Campos Rupestres e colocamos outro lifer na mala, o bacurau-da-telha. Esse não ajudou muito e exigiu bastante esforço físico e um quase rapel para conseguir a melhor posição para fotografá-lo.

 

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No dia seguinte, já a caminho de encerrarmos nossa passagem por Santana do Riacho, ainda conseguimos belas fotografias do pica-pau-chorão, uma diminuta e bastante camuflada espécie de ave.

 

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Fechando a parte Sul do Espinhaço pegamos voo até o Norte de Minas Gerais, mais especificamente em Botumirim/MG, a casa da recém redescoberta rolinha-do-planalto. Esta pequena pombinha ficou desaparecida por cerca de 75 anos e hoje é uma das espécies de ave mais ameaçadas do planeta. Dedicamos duas manhãs para essa espécie e a primeira foi bastante difícil. Poucas oportunidades e um tempo fechado não renderam boas imagens. Já na segunda manhã, após algum tempo de muita paciência, conseguimos avistar um macho que permitiu excelente aproximação e ficou um bom tempo parado em poleiro a meia altura. Deu um show e ai foi só largar o dedo no disparador da câmera.

 

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Apesar de estar fora do Espinhaço, o Parque Estadual da Lapa Grande, em Montes Claros/MG, é parada obrigatória para os birders que vão atrás da rolinha. Não foi diferente para nós e aproveitamos os dias restantes para visitar as incríveis Matas Secas daquela região. Ali tivemos a preciosa ajuda do condutor local Warley Miranda, que sabe tudo da região. Por lá buscamos espécies bem típicas daquele ambiente, como o asa-de-sabre-da-mata-seca e a maria-preta-do-nordeste. O ameaçado cara-dourada deu bastante trabalho para ser localizado, mas também conseguimos algumas imagens desse pequenino passarinho.

 

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Também entraram na lista o arapaçu-de-wagler e o macuru. Esse último não ajudou muito, não quis descer de jeito nenhum. As ausências ficaram por conta do caburé-acanelado e do piolhinho-do-grotão, que não apareceram durante nossas investidas.

 

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Encerramos a viagem com excelentes resultados, garantindo 13 dos 15 lifers possíveis para o Paulo, a quem agradecemos pela confiança em nosso trabalho. Agradecemoos também a todos nossos parceiros e amigos que nos ajudaram em campo.

 

Um grande abraço e até a próxima,

 

EDU FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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