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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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April03

BIRDING TOUR | Moeda, Caraça e Cipó

 

 

Cortando mais de 1000 quilômetros entre Minas Gerais e Bahia, a Cadeia do Espinhaço é a única cordilheira do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos do mundo e certamente um dos melhores destinos para turismo de natureza . Nessa expedição visitamos as Serras da Moeda, Caraça e do Cipó. A altitude das porções serranas varia de 700 a 1600 metros (havendo picos acima de 2000 metros) e a vegetação acima de 1000 metros é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Nos dias 26 a 31 de março recebemos os fotógrafos Ernani Oliveira e Alexandre Vidal.

 

Iniciamos nossa viagem visitando a Serra da Moeda, no município de Brumadinho/MG, em busca dos primeiros lifers. Entre eles a maxalalagá. Decidimos priorizar a saracura e tentamos ir direto até o ponto dela. Porém, logo nos primeiros metros, uma das espécies desejadas já apareceu e acabou nos prendendo. Avistamos um casal de choca-de-asa-vermelha e o macho rendeu algumas imagens. Poucos metros a frente outra espécie que buscávamos também apareceu. Dessa vez uma dupla de rabo-bole-da-serra, que não dificultou muito.

 

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Após colocar esses dois lifers na bagagem, chegamos finalmente na grande estrela da manhã, a maxalalagá. Preparamos todo o cenário e começamos a atrair a saracurinha. Precisamos ser bastante pacientes. Aparentemente ela estava mais arisca que nos demais dias e levou cerca de 40 minutos até que a primeira aparecesse. Saiu e voltou rapidamente, carregando a comida. Naquele instante, percebemos outro indivíduo saindo correndo no capim e percebemos que era um filhote, seguindo os passos do adulto. Foi muito rápido, sem chance para registro. A cena se repetiu por mais umas duas vezes, até que decidimos seguir viagem.

 

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Encerramos nossos objetivos por ali e pegamos estrada até Belo Horizonte/MG onde visitamos o Parque Roberto Burle Marx em busca do cuitelão. Chegamos lá e nos deslocamos até o ponto correto e logo avistamos os primeiros indivíduos. Em pouco tempo percebemos se tratar de um bando de cerca de 4 aves. Apesar da luz natural já bem alta, foi possível obter algumas imagens. No caminho ainda conseguimos registrar o chorozinho-de-chapéu-preto, que também era novidade para eles. Missão cumprida, voltamos a estrada em direção ao Santuário do Caraça, localizado no município de Catas Altas/MG.

 

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Precisamos de cerca de 3 horas de estrada e lá chegando seguimos direto para uma das trilhas onde poderíamos avistar o beija-flor-de-gravata-verde. Em pouco tempo escutamos e avistamos vários indivíduos e com um pouco de paciência as primeiras imagens foram saindo. Ficamos ali algum tempo até que a luz natural começou a sumir e o bichinho reduzir sua atividade. Fizemos então o check-in na pousada e fomos para o jantar.

 

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Após o jantar já nos preparamos para a Hora do Lobo e nem bem sentamos um deles já apareceu. Aparentemente uma fêmea, arisca, que pegou o alimento e desceu. A cena se repetiu algumas vezes até que ela sumiu. Em seguida avistamos também um cachorro-do-mato e um casal de anta que ficaram passeando pelo estacionamento. Boa parte dos hóspedes foi para os quartos e após algum tempo de espera o lobo retornou. Dessa fez ficou alguns preciosos minutos comendo o alimento oferecido pela casa. Agora sim foi possível obter mais imagens. Por volta das 22 horas decidimos ir para os quartos e descansarmos para o próximo dia.

 

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Acordamos bem cedo e ainda antes do café-da-manhã fomos em busca de um dos poucos lifers possíveis no Caraça, que nesse caso era o macuquinho. Escutamos um deles e ficamos por cerca de uma hora tentando buscar alguma condição de fotografia, até que achamos uma brecha na mata e lá tentamos. Ele acabou passando por ali umas 2 vezes e até rendeu algumas fotos, que não foram as melhores, mas lifer é lifer.

 

 

Fizemos uma parada para o café-da-manhã e depois seguimos em busca do tapaculo-serrano, que seria mais um dos lifers possíveis. Chegamos até o local e rapidamente um deles respondeu aos chamados, porém muito distante. Ainda insistimos por um tempo, mas ele não respondeu mais. Aproveitamos o local e conseguimos bons cliques das saíras-douradinha e lagarta. Aproveitamos o final da manhã e fizemos uma rápida visita até a cascatinha, uma das belas cachoeiras do Caraça.

 

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A tarde retornamos até os campos rupestres em busca de mais imagens do beija-flor-de-gravata-verde e tivemos algumas boas chances, até melhores que do dia anterior. A noite, após o jantar, descemos para aguardar novamente o lobo-guará e acabamos vendo um belíssimo macho de anta, que dessa vez subiu e deu um show. Teve também cachorro-do-mato mas, lobo que é bom nada rs. Até meia-noite nem sinal do bicho.

 

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Na manhã seguinte retornamos nos pontos do macuquinho e do tapaculo-serrano e nenhum dos dois deu chance alguma. Encerramos nossa passagem pelo Caraça e logo após o almoço pegamos estrada em direção a Serra do Cipó.

 

No dia seguinte saímos da pousada ainda de madrugada e chegamos ao distrito de Lapinha da Serra pouco antes do amanhecer. Tomamos um café-da-manhã improvisado e partimos para a trilha. O primeiro grande objetivo era o endêmico lenheiro-da-serra-do-cipó. Chegamos até o local e começamos a busca pelo pequeno passarinho. A primeira tentativa foi frustada, sem nenhuma resposta. Continuamos a subida e, no caminho, uma dupla de rabo-mole-da-serra estava vocalizando bastante e fomos até eles. Enquanto fazíamos as fotos percebi um lenheiro movimentando-se entre os afloramentos rochosos e voltamos as atenções a ele. Dessa vez após alguns minutos de paciência conseguimos as primeiras imagens.

 

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Enquanto tentávamos mais oportunidades com o lenheiro, escutei um chamado que me despertou interesse e quando ele se repetiu tive a certeza que estava ouvindo um tapaculo-serrano, que nos deu um baile no Caraça. Não acreditei naquela sorte e tentei ir atrás do bicho morro acima. Percebendo que seria difícil chegar até onde ele estava desisti e voltei para a trilha. Chegando nela, escutei novamente a mesma espécie, só que agora muito mais perto.Tentamos localizar a origem do som e avistamos um jovem da espécie em um poleiro e então foi só disparar. Conseguimos algumas boas imagens. Tentamos melhorar um pouco, mas para nosso azar um grupo de caminhantes passou bem na hora e acabou espantando o bichinho. Bem ainda muito a comemorar já que aquele encontro não era esperado naquele local.

 

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A próxima meta era o pedreiro-do-espinhaço e para isso precisamos subir mais alguns metros até os campos brejosos no alto das serras. Chegando lá rapidamente localizamos um e ai foi apenas aguardar e melhor oportunidade. Fomos surpreendidos por um deles bem próximo, forrageando por entre as rochas. Fizemos uma breve parada para um lanche e retornamos então para o almoço e depois para a pousada. Metas cumpridas, descanso merecido.

 

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O quinto dia da viagem seria dedicado aos beija-flores, principalmente ao gravata-verde e o chifre-de-ouro. Queríamos aproveitar o final da floração das arnicas e seguimos para um dos conhecidos campos dessa característica espécie do Cerrado. Quando chegamos já fomos logo encontrando os primeiros beija-flores. Identificamos alguns territórios e poleiros e ai só restava aguardar as melhores oportunidades. Ficamos por ali o dia todo fazendo apenas uma pausa para o almoço. Conseguimos uma boa série de fotografias. Como presente ainda ganhamos um mole danado do capacetinho-do-oco-do-pau.

 

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A última manhã foi  de visita ao Parque Nacional da Serra do Cipó, no trecho localizado no município de Jaboticatubas/MG. Seria uma visita rápida em busca de duas espécies: o cisqueiro-do-rio e o casaca-de-couro-amarelo. Seguimos então diretamente para a margem do Rio Cipó onde essas espécies poderiam ser encontradas. Não precisou muita espera e já encontramos um casal de cisqueiros, que apesar de estarem bem ativos, não saíram do emaranhado em momento algum, dificultando muito a obter as imagens. Em determinado momento eles sumiram então acabamos abortando a busca. Partimos então para o segundo objetivo e, dessa vez, precisamos aguardar cerca de 15 minutos até que um casaca-de-couro respondeu pela primeira vez aos chamados. Outros 15 minutos foram necessários para que finalmente ele escolhesse um poleiro interessante e ai foi só clicar.

 

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Encerramos nossa longa viagem com os principais objetivos atingidos e uma lista de 174 espécies registradas (confira a lista completa). Passamos por 5 municípios, rodamos quase 700 quilômetros de estradas e caminhamos por outros 35. Agradeço ao Alexandre e ao Ernani pela confiança em nosso trabalho e aos parceiros da Destinos MG que são fundamentais para nosso sucesso.

 

Até a próxima,

 

EDU FRANCO

 

  • Posted by Eduardo Franco
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