BLOG

Relatos ilustrados de nossos roteiros

Você esta aqui:

March21

BIRDING TOUR | Moeda e Cipó

 

 

Cortando mais de 1000 quilômetros entre Minas Gerais e Bahia, a Cadeia do Espinhaço é a única cordilheira do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos do mundo e certamente um dos melhores destinos para turismo de natureza . Nessa expedição visitamos as Serras da Moeda e do Cipó. A altitude de ambas porções serranas varia de 700 a 1600 metros e a vegetação acima de 1000 metros é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Nos dias 17 a 19 de março recebemos o casal Henrique e Leigh Langenegger em busca de 5 lifers possíveis, sendo eles os endêmicos do espinhaço (lenheiro, pedreiro e gravata-verde), rabo-mole e maxalalagá.

 

Nossa viagem já começou com certa emoção, com uma pancada de chuva caindo bem na hora que marcamos de sair do hotel. Adiamos então a saída e acabamos perdendo algumas horas. Nossa primeira parada foi na Serra da Moeda, onde seguimos diretamente para tentar fotografar a maxalalagá, que poderia ser o primeiro lifer da viagem. Encontramos muita neblina e vento frio, o que não é bom para espécies de campo, pois elas acabam ficando escondidas no capim. Enfrentamos as condições climáticas e seguimos em frente. Chegamos até o local e ai foi aguardar a chegada da saracurinha. Precisamos ser bem pacientes, mas a recompensa veio e conseguimos excelentes imagens da pequenina ave. Ainda por ali, fotografamos a corruíra-do-campo, que o Henrique precisa melhorar a foto.

 

2019.03.17-19_002 espinhaco2019.03.17-19_003 espinhaco2019.03.17-19_001 espinhaco

 

Apesar de alguma melhora, o tempo continuava ruim e, por ser domingo, a trilha estava cheia de caminhantes e ciclistas, o que dificultou nossa procura pelo rabo-mole-da-serra, o outro objetivo da manhã. Como havia possibilidade de o encontramos na sequencia da viagem, optamos por cancelar a procura e seguimos viagem para a Serra do Cipó.

 

Já no Cipó, fizemos uma parada para o almoço e aproveitamos o tempo nublado e fresco para continuar em campo atrás dos objetivos. Não queríamos arriscar pegar outra chuva. Dessa vez o objetivo principal era o beija-flor-de-gravata-verde, mas ali também poderíamos avistar o chifre-de-ouro e o bacurauzinho, espécies que precisam de fotos melhores. O bacurau logo apareceu e não deu trabalho nenhum.

 

2019.03.17-19_004 espinhaco

 

Começamos a vasculhar os campos de arnicas-do-campo, que estavam floridas a costumam atrair os beija-flores essa época do ano. Apesar de haver pouco movimento, aos poucos fomos localizando os melhores pontos, até que finalmente avistamos o primeiro gravata-verde, uma fêmea, que deu poucas chances antes de voar novamente. Ali por perto, após alguns minutos de espera, avistamos agora um macho. Como ele é bastante territorialista e utiliza os mesmos poleiros várias vezes, bastava aguardar a melhor oportunidade.

 

2019.03.17-19_006 espinhaco 2019.03.17-19_005 espinhaco

 

Ainda por ali, já cm mais dificuldade, conseguimos também encontrar alguns chifre-de-ouro, que só deram chance em voo enquanto se alimentavam. Mesmo assim ainda foi possível melhorar bastante o registro que o Henrique possuía. Na volta, ainda encontramos dois capacetinhos-do-oco-do-pau, que renderam excelentes fotografias.

 

2018.09.25_008 cipo 2019.03.17-19_007 espinhaco

 

O segundo dia foi de subir os campos rupestres da Lapinha da Serra em busca das duas grandes estrelas da viagem, o lenheiro-da-serra-do-cipó e 0 pedreiro-do-espinhaço. Com raras exceções, ambas espécies ocorrem acima de 1.100 metros de altitude, o que exige esforço físico na maior parte das vezes.  Terreno acidentado dificulta ainda mais as caminhadas. A recompensa é um cenário de tirar o fôlego.

 

2019.03.17-19_008 espinhaco

 

Assim que atingimos cerca de 1.200 metros de altitude fomos surpreendidos por um jovem de águia-serrana, que passou muito próxima de nós, ficando algum tempo sobrevoando a trilha. Em alguns momentos ela parecia bastante curiosa com nossa presença ali.

 

2019.03.17-19_009 espinhaco

 

Poucos metros acima fizemos uma parada e iniciamos nossa busca pelo lenheiro. Tentamos atraí-lo algumas vezes, mas não escutamos resposta. Após alguns minutos resolvi abortar e tentar em outro ponto. Quando me viro para trás, dou de cara com o bichinho, que chegou sem dar um pio se quer. Apos o susto, tentamos nos afastar um pouco e ai foi só esperar o momento certo. Terceiro lifer do Henrique na viagem e sua marca de 1.100 espécies fotografadas no Wiki Aves. VIVA!

 

2019.03.17-19_010 espinhaco

 

Seguimos então a procura pelo pedreiro, endêmico da Serra do Cipó, que seria o quarto lifer da viagem. Após mais alguns metros de trilha e uma paradinha para um lanche, começamos a atrair o bicho e em poucos segundos ele apareceu. Precisamos ir atrás dele por alguns metros, mas no final acabamos conseguindo sem muito problema.

 

2018.10.12_011 espinhaco

 

Na descida da trilha ainda encontramos um ninho e um jovem macho do beija-flor-de-gravata-verde. No ninho havia apenas um pouco de farelo de ovo.

 

2019.03.17-19_011 espinhaco 2019.03.17-19_012 espinhaco

 

No último dia, como já atingimos os principais objetivos na Serra do Cipó, decidimos retornar até Brumadinho e visitar novamente a Serra da Moeda em busca do rabo-mole-da-serra e do tapaculo-de-colarinho, que o Henrique e a Leigh queriam avistar novamente e tentar melhorar sua foto. A escolha foi excelente e conseguimos ambas as espécies em situações ótimas. Fechamos assim nossa viagem a meta de 5 lifers cumprida.

 

2018.11.25_0052019.03.17-19_013 espinhaco

 

Foram três ótimos dias. Agradecemos nossos parceiros e nossos clientes pela confiança em nosso trabalho. Venha também visitar a Cadeia do Espinhaço com a Destinos MG Turismo.

 

Grande abraço e até a próxima,

 

EDU FRANCO | Biólogo e Guia de Turismo

 

  • Posted by Eduardo Franco
  • 7 Tags
  • 0 Comments
COMMENTS