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October10

BIRDING TOUR | Cipó, Pompéu e Curvelo

 

 

Nos dias 02 a 05 de outubro recebemos os observadores de aves Ademir Costa e Edson Rocha em busca de espécies do Cerrado. Para isso percorremos 3 municípios (Santana do Riacho, Pompéu e Curvelo) em 3 dias.

 

Começamos nossa viagem no Distrito de Lapinha da Serra, em Santana do Riacho/MG, com objetivo de registrar os três principais endêmicos da Cadeia do Espinhaço: pedreiro-do-espinhaço, lenheiro-da-serra-do-cipó e o beija-flor-de-gravata-verde. Chegamos já no final da manhã e fomos até o ponto do pedreiro, que não decepcionou e apareceu rapidamente. Fizemos algumas imagens do casal que segue trabalhando no ninho e fomos então almoçar.

 

A tarde, após fazer check-in na pousada, seguimos trilha atrás dos outros dois endêmicos. Chegamos ao ponto do lenheiro e após algum tempo consegui escutar uma vocalização no alto dos afloramentos rochosos da Serra do Cipó. Já sabendo que os indivíduos daquele ponto não estavam se aproximando muito, convenci o Ademir e o Edson a me acompanhar na difícil subida. Com bastante esforço chegamos até o local e iniciamos então nossa busca. O lenheiro chegou a aparecer algumas vezes, mas rapidamente se escondia novamente. Ficamos cerca de 2 horas aguardando, mas não tivemos a chance que buscávamos. Adiamos para a manhã seguinte. Retornamos para a pousada e nos preparamos para o próximo dia.

 

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Acordamos bem cedo e improvisamos um café-da-manhã. Fomos diretamente até o ponto do dia anterior e seguimos nossa busca. Demorou quase uma hora para eu conseguir ouvir o passarinho pela primeira vez, mas dessa vez eles estavam mais ativos e começaram a aparecer. Em uma das vezes o bicho apareceu bem na nossa frente e o Ademir rapidamente o localizou. A posição da luz e os obstáculos dificultaram bastante fazer a fotografia, que ficou longe do ideal. Havia pouco tempo disponível e mais uma espécie para buscar e então decidimos que o resultado atendia. O ponto do beija-flor era um pouco mais distante e, percebendo a exaustão do grupo, resolvi então propor arriscarmos e tentarmos em outro local, um pouco mais fácil de acessar.

 

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Chegamos até o início da trilha a recebi o aviso de que os gravata-verde estavam visitando flores por ali mesmo, antes mesmo de começar a trilha. Enquanto eu me preparava, escutei a voz de um deles e então rapidamente o localizei. Eram pelo menos 3 indivíduos por ali, o que nos facilitou muito. Conseguimos pegar fotos deles em voo e pousados, adiantando muito nosso tempo e economizando muita energia, já que o calor era muito forte naquele momento.

 

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Com a adiantada que conseguimos nos beija-flores, resolvemos antecipar nossa viagem e antes mesmo do almoço já estávamos na estrada para Pompeu/MG, onde iríamos em busca de outros desejos. Fizemos uma parada para comer na estrada e chegamos em lá no meio da tarde. Em Pompéu contamos com o apoio local do Afonso, observador de aves que, junto do seu irmão Luiz Alberto, tem conduzido birders na cidade. Foi corrido, mas ainda deu tempo de irmos até uma área de campo limpo para buscarmos o mineirinho, um dos desejos do Ademir. Chegando lá, logo de cara, quem foi presenteado fui eu, com um avistamento do andarilho, que a muito tempo eu tentava encontrar. Enquanto eu fotografava ele, avistei também um macho de mineirinho e chamei o Ademir para registrá-lo. O suiriri-da-chapada também apareceu e completou nossa festa.

 

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Pegamos estrada então para o segundo ponto, onde buscaríamos o bacurau-de-rabo-maculado. Assim que paramos o carro o Afonso localizou um bacurau e conseguimos nos aproximar muito. Não estávamos certos de ser a espécie que queríamos, então decidimos buscar outro indivíduo (valeu a pena, pois depois confirmamos que tratava-se de uma fêmea de bacurau-tesoura). Seguimos pela estrada dentro do carro e após alguns metros o Afonso escutou a voz do bicho e então iniciamos nossa busca a pé. Não foi nada fácil. Precisamos de cerca de 1 hora até conseguir avistar e fotografar um deles, que no final acabou facilitando. Missão cumprida em Pompeu, ainda a noite, partimos em direção a Curvelo/MG, onde passaríamos a noite. Chegamos lá por volta das 23 horas, exaustos. Só restava tentar dormir.

 

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Acordamos cedo e às 06 horas da manhã nos encontramos com o amigo Augustinho Nery, que iria nos ajudar em Curvelo. Seguimos direto ao ponto do cara-dourada, o próximo objetivo a buscar. Chegando lá encontramos um bandinho de saíra-de-chapéu-preto, entre outras espécies de aves. Começamos então a busca pelo cara-dourada, que também não foi fácil. Após muito tempo de espera um indivíduo apareceu e foi fotografado pelo Ademir. Eu não estava convencido de que era a espécie, por conta do comportamento diferente e por não ter escutado a vocalização. Pedi para ver a foto e percebi que na verdade trata-se do bico-chato-amarelo, que causar confusão se não olhado com cuidado.

 

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Retomamos então a busca e ficamos aguardando algum sinal de espécie. Sentamos na mata e ficamos batendo papo até que em determinado momento tive a impressão de ouvir a voz da espécie. Quando levantei escutei novamente e então iniciei a tentativa de atraí-la. Demorou bastante, o bicho veio tímido e muito alto, até que de repente começou a nos dar algumas chances e as primeira imagens foram saindo. Ufa, mais um sufoco, mas mais um resultado positivo! Na sequencia tentamos ainda buscar o tiê-caburé, mas esse não dei sinal. Fizemos então uma parada para almoço e um breve descanso.

 

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A tarde a busca seria pela codorna-do-nordeste. Chegamos ao ponto e, para que fique claro o quanto esses deslocamentos eram cansativos, cada local desse nos obrigava andar cerca de 1 hora de carro, além de algum tempo a pé. Viagem bastante complicada! Bem, chegamos lá e um par de bichoitas nos ocupou o tempo até que as codornas começassem a ficarem ativas. Mesma história, longas horas esperando e nem sinal. Lá pelo final da tarde, com o céu bastante nublado e muita chuva no entorno, resolvemos desistir. Foi colocar o pé no chão e escutei uma delas cantando, seguida de mais uma porção para todo o lado. A luz era péssima, mas seria nossa única chance. Preparei todo o cenário e ficamos aguardando até que uma delas resolveu sair do capim, longe, muuuuitoo longe, mas o suficiente para conseguirmos a foto. Mais uma para a conta, aos 49 minutos do segundo tempo e com a dificuldade esperada. Como eu digo, lifer bom é lifer suado e com muita história para contar. Vamo que vamo, retornamos para o hotel e, após uma rápida celebração em um restaurante, fomos para nossa última noite daquela exaustiva viagem.

 

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Na manhã seguinte, insistentes que somos, antes de ir embora ainda tentamos retornar no ponto do tiê-caburé. Assim que eu abri a porta do carro encontrei com dois indivíduos saindo voando para bem longe. Bastante frustado, tentei atraí-los novamente, mas foi em vão. Rodamos um tempo para tentar achar, mas esse realmente não conseguimos. O único, para não dizer que foi 100% rs. Faz parte, afinal, é o desafio que nos move!

 

No caminho de retorno para Belo Horizonte resolvemos passar por Cordisburgo/MG, terra de Guimarães Rosa e a porta de entrada para o Sertão Veredas. Visitamos o Portal, o Museu, por sinal muito bem cuidados bonitos. Interessante oportunidade, já que Guimarães Rosa seja talvez o pai da observação de aves no Brasil, já que boa parte da sua literatura está recheada de espécies de aves, com Destaque para o Grande Sertão: Veredas.

 

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Por último visitamos a incrível Gruta do Maquiné, uma preciosidade mineira que é considerado o berço da paleontologia brasileira. Ali o naturalista dinamarquês Peter Lund iniciou seus trabalhos paleontológicos no Brasil, tão importantes para  que conhecemos sobre a megafauna do Pleistoceno.

 

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Encerramos nossa viagem com 7 dos 8 objetivos alcançados. Agradeço aos nossos clientes pela confiança em nosso trabalho e aos amigos que nos ajudaram em Pompéu e Curvelo. Viagem pesada, corrida, mas bastante produtiva.

 

Um grande abraço,

 

EDU FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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