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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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October08

BIRDING TOUR | Cadeia do Espinhaço

 

 

Cortando mais de 1000 quilômetros entre Minas Gerais e Bahia, a Serra do Espinhaço é a única cordilheira do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos. Abrigando paisagens deslumbrantes e biodiversidade riquíssima, é certamente um dos melhores destinos para turismo de natureza do mundo. Nessa expedição visitaremos a porção Sul da cordilheira, principalmente as Serras da Moeda e do Cipó. A Serra da Moeda está localizada no Quadrilátero Ferrífero. Possuindo Unidades de Conservação, como o Monumento Natural da Serra da Calçada, configura-se como uma importante área para a conservação da flora e fauna. A Serra do Cipó é protegida por importantes reservas, como a APA Morro da Pedreira e o Parque Nacional da Serra do Cipó. A altitude de ambas porções serranas varia de 700 a 1600 metros e a vegetação acima de 1000 metros é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente as Serras da Moeda e do Cipó são destinos procurados por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza

 

Nos dias 27 a 30 de setembro recebemos o casal observador de aves Antônio Carlos e Norica Iglesias para mais uma birding tour pela porção Sul da Cadeia do Espinhaço.

 

Iniciamos nossa viagem visitando o Monumento Natural Estadual da Serra da Calçada, Unidade de Conservação localizada na Serra da Moeda, mais especificamente em Brumadinho/MG. Logo no início já encontramos um dos principais objetivos daquela manhã, o rabo-mole-da-serra, espécie bastante comum ali. Com alguma paciência as boas fotografias foram saindo. Não muito distante dali encontramos também com a corruíra-do-campo, que já deu um pouco mais de trabalho.

 

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Um pouco mais a frente, comentei que a uma semana atrás eu havia topado com uma maxalalagá vocalizando bastante, mas que não saiu d capim. Perguntei então se queriam tentar atrair o bicho e os dois aceitaram prontamente. Preparei todo o cenário, posicionei os fotógrafos e então iniciamos nossa tentativa. Alguns minutos se passaram e a primeira saracurazinha atravessou a trilha, mas muito rápido e sem chance de fotografia. Tentei então mudar o lugar, preparando melhor o palco. Não demorou muito e ela atravessou novamente, ainda sem foto. Porém, na volta, o Antônio Carlos foi rápido no disparador e capturou uma imagem da pequenina, que passava igual a um foguete. Ainda tentamos algumas vezes mais alguma chance melhor, mas preferimos evitar estressar demais o animal com exagero de playback. Esse foi um registro que comemorei muito, pois a exatos 12 meses, essa área havia sido destruída por incêndios criminosos e só agora a espécie está voltando a aparecer por ali.

 

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Fizemos um pequeno intervalo para almoçar e descansar um pouco. O calor era muito forte, o que prejudicava bastante nosso rendimento em campo. Logo após visitamos o Parque Municipal Burle Marx e de cara já fui topando com uma das estrelas do lugar, que coincidentemente é uma das espécies prediletas da Norica. Paramos então para tentar avistá-la melhor e ela não decepcionou, conseguimos ótimas imagens do belíssimo tiê-sangue. Ainda no mesmo local, de brinde, um lifer, o chorozinho-de-chapéu-preto.

 

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Depois seguimos buscar o principal objetivo da tarde, o interessante cuitelão, que não deu trabalho algum e apareceu bem rápido. Apesar de a luz não está ideal, foi possível conseguir algumas boas imagens. Com os resultados todos atingidos, seguimos viagem para Santana do Riacho, onde passaríamos as próximas noites.

 

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No dia seguinte acordamos ainda de madrugada e pegamos estrada rumo ao Distrito de Lapinha da Serra, tradicional lugarejo onde vamos atrás dos endemismos mais importantes do Espinhaço. Chegando lá improvisamos nosso café-da-manhã e então pegamos trilha atrás do primeiro e mais desafiante objetivo, o lenheiro-da-serra-do-cipó. Chegando ao ponto, em poucos minutos localizei o primeiro indivíduo, mas precisamos subir um bocado de pedra para chegar até ele. Precisamos de muita paciência e cerca de 1 hora até conseguir alguma imagem, que está longe de ser ideal, mas já o suficiente para comemorar, já que essa espécie não costuma dar muitas chances. O bichinho ficou escondido a maior parte do tempo, lutando contra os forte e insistente vento da Lapinha.

 

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Sem muito tempo para desperdiçar, já que o Sol já ardia no alto da Serra, seguimos a trilha em busca do próximo objetivo, o beija-flor-de-gravata-verde. Chegamos lá e ai foi esperar pelo augustinho. Porém, além da demora, quando apareceu percebi que o beija-flor já não estava mais tão tranquilo quanto antes, não permitindo tanta aproximação. Era algo que eu já esperava, mas é bem provável que o indivíduo que apelidamos de augustinho, que por muito tempo encantou dezenas de birders, tenha morrido ou perdido o território. Uma pena enorme, já que era sempre um momento muito especial estar ali com ele. Agora é tentar amansar o próximo.

 

Ainda no mesmo local conseguimos avistar um casal de canário-rasteiro e um bando de chopim-do-brejo. O calor era muito forte quando decidimos retornar. Os passarinhos todos estavam com os bichos abertos, tentando refrescar um pouco.

 

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Faltava o último e mais endêmico de todos, o pedreiro-do-espinhaço. Fui então até o ponto em que encontrei um ninho ativo da espécie e bastou aguardar um pouco para ele aparecer. Fizemos nossas fotos e deixamos o local, evitando o máximo estressar o indivíduo que protegia seu ninho. Paramos então para almoçar e recuperar as forças para a tarde.

 

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Voltamos para a Serra do Cipó e seguimos direto tentar a choca-do-nordeste e o rapazinho-dos-velhos. Ambos deram muito trabalho, o rapazinho aparecendo longe e tímido, não permitindo grandes aproximações. Apenas uma vez que um deles apareceu bem perto de nos. A choca chegou a vocalizar algumas vezes, mas não apareceu. Tentativa um tanto frustada, mas haveria mais tempo para tentar novamente. Encerramos o dia bastante contentes, com os principais objetivos atingidos mais uma vez.

 

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No terceiro dia visitamos o Parque Nacional da Serra da Cipó, em Jaboticatubas/MG e logo no começo da trilha encontramos um dos objetivos, o saci. O problema é que entre encontrar, avistar e fotografar existiu uma lacuna de quase 2 horas de dedicação rsrsrs. Bichinho complicado!!! Não deu quase chance nenhuma, até que quando estávamos quase desistindo, ele resolveu apareceu em um poleiro alto e relativamente limpo.

 

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Ao longo da trilha fomos encontramos alguns bichos legais, mas nada fora do comum. Avistamos o beija-flor-de-orelha-violeta, saí-azul, soldadinho e, ai sim, a grande surpresa, um urubu-rei sobrevoou nossas cabeças rapidamente, mas nos emocionou bastante. Não deu muita chance de foto, mas valeu o registro. Foi uma manhã pouco produtiva, com poucas aves e fotos, mas ainda assim conseguimos alguns interessantes.

 

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Após almoçarmos, retornamos para a pousada e  fizemos um descanso de algumas horas. O acúmulo de quilômetros percorridos e o calor intenso tinha pregado todo mundo. No final da tarde fizemos então nova tentativa de avistar a choca-do-nordeste e dessa vez nem vocalização escutei. Nada, nenhum sinal. Aquilo me preocupou, já que nunca havia ocorrido antes. Para não dizer que voltamos de mãos vazias, um macho de beija-flor-tesura-verde apareceu e foi fotografado.

 

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No quarto e último dia visitamos nossa última trilha e dessa vez parece que o tempo iria ajudar. Um nubladinho bem fresco fez as aves ficarem mais ativas também e, antes mesmo de começar a caminhar, algumas espécies deram um show.  Apareceram o batuqueiro, campainha-azul e o sebinho-de-olho-de-ouro.

 

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Quando começamos a subir, em busca dos bacurauzinhos, o vento voltou com tudo e mostrou que não dava para elogiar demais rsrsrs Estava difícil ficar em pé, imagina encontrar bichos mega camuflados no chão… precisamos de muita insistência e paciência até encontrar um que, quando o Sol ajudou, nos deu um espetáculo. Saiu muita foto legal.

 

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Pouco mais a frente a grande surpresa do dia, uma flor estrategicamente posicionada atraia alguns beija-flores, entre eles o gravata-verde e o chifre-de-ouro. Expliquei sobre a previsibilidade dos beija-flores e que provavelmente em intervalos de 15, 20 minutos, eles iriam voltar ali. Sentamos então e aguardamos. Como um pontual inglês, exatamente aos 15 minutos da última aparição, lá estava novamente o chifre-de-ouro, agora muito bem fotografado, já que estávamos esperando no local certo. Bastou então pregar o dedo no disparador e escolher as melhores imagens. Animal incrível!

 

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Após o almoço, resolvi fazer uma última tentativa de avistar a choca-do-nordeste. Voltamos lá e passamos muitos minutos esperando por algum sinal até que quando eu desisti e estava voltando para o carro tive a impressão de ouvir sua voz bem longe. Retornei ao ponto e confirmei. Tentei então atrair o bicho que demorou, mas finalmente apareceu. Porém, quando ele estava saindo dos arbustos me passa um carro parando e olhando o que estávamos fazendo e espantou o bicho. Rapaz, aquilo me deixou bravo rs… lá fui eu tentar novamente. Alguns minutos mais e ela voltou, dessa vez mais arisca e a Norica tentando clicar algumas vezes e o Antônio Carlos longe, lá no carro, buscando alguma coisa que não me recordo o que era. Quando ele volta, tchau choca…. beleza, respira, vamos lá a terceira vez. O bicho volta, escuto as câmeras disparando um pouco e… bateria doo Antônio acabada HAHAHA que saga!!! Tudo que poderia dar errado, estava dando. Por muita sorte o pouco de bateria que restava foi suficiente para a foto. Depois, mais calmo, percebi que apenas o macho estava aparecendo e que, somado a dificuldade, muito provavelmente o casal estava cuidando de um ninho e, portanto, interrompemos nossas tentativas e deixamos o bicho quieto. Bem, valeu a insistência.

 

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Restava pouco a fazer senão visitar o Alto do Palácio e dar aquela passada no Juquinha, agradecendo por mais uma viagem e por mais amigos que os passarinhos nos trazem.

 

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Agradecemos nossos clientes pela confiança, paciência e longas e produtivas conversas. Foram cerca de 100 espécies registradas e muitos lifers para os dois, além das muitas boas recordações.

 

Grande abraço,

 

EDU FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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