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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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September22

BIRDING TOUR | Serra do Espinhaço 14-16/set

 

 

Cortando mais de 1000 quilômetros entre Minas Gerais e Bahia, a Serra do Espinhaço é a única cordilheira do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos. Abrigando paisagens deslumbrantes e biodiversidade riquíssima, é certamente um dos melhores destinos para turismo de natureza do mundo. Nessa expedição visitaremos a porção Sul da cordilheira, principalmente as Serras da Moeda e do Cipó. A Serra da Moeda está localizada no Quadrilátero Ferrífero. Possuindo Unidades de Conservação, como o Monumento Natural da Serra da Calçada, configura-se como uma importante área para a conservação da flora e fauna. A Serra do Cipó é protegida por importantes reservas, como a APA Morro da Pedreira e o Parque Nacional da Serra do Cipó. A altitude de ambas porções serranas varia de 700 a 1600 metros e a vegetação acima de 1000 metros é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente as Serras da Moeda e do Cipó são destinos procurados por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza

 

Nos dias 14 a 16 de setembro recebemos os observadores de aves Marcelo Müller, José Luiz Grazia, Yan e Heron Sanglard para mais uma birding tour pela porção Sul da Cadeia do Espinhaço.

 

Iniciamos nossa viagem visitando o Monumento Natural Estadual da Serra da Calçada, em Brumadinho/MG. O forte vento e uma densa neblina atrapalharam bastante no início, quando acabamos perdendo algumas preciosas horas. Porém, quando as condições climáticas melhoraram, conseguimos registrar algumas das espécies que buscávamos naquele lugar, destaque para a corruíra-do-campo e o rabo-mole-da-serra. Em determinado local conseguimos ouvir uma maxalalagá, que estão retornando ao local após um grande incêndio no final de 2017. Preparamos todo o cenário para tentar avistar a pequena saracura, mas ela não quis dar as caras.

 

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Esperava encontrar também o tapaculo-de-colarinho, mas esse não deu um pio a manhã inteira. Sem muito mais o que fazer por ali, decidimos seguir viagem até o distrito de Serra do Cipó, em Santana do Riacho/MG. Chegamos por volta das 13 horas, fizemos nosso check-in e almoçamos. A tarde fizemos uma rápida passarinhada nas proximidades e conseguimos aumentar nossa lista de espécies e lifers. destaques vão para o suiriri-cinzentobacurauzinho choca-de-asa-vermelha.

 

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O segundo dia, tradicionalmente, é o dia de ir atrás dos endemismos do Espinhaço. Saímos ainda de madrugada da pousada em direção ao Distrito de Lapinha da Serra. Uma boa chuva, rara essa época, caiu durante boa parte da noite e isso nos encheu de confiança. A confiança aumentou ao chegarmos no início da trilha e perceber que as condições climáticas eram excelentes. Um nublado perfeito para fotografia e que permitiria caminharmos sem o escaldante Sol do Cerrado nas nossas cabeças. Logo no início da trilha já conseguimos registrar o mais endêmico de todos, o pedreiro-do-espinhaço, que só existe na região da Serra do Cipó. Em poucos minutos conseguimos excelentes imagens. Poucos metros depois também encontramos o ameaçado capacetinho-do-oco-do-pau.

 

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Percebemos algumas arnicas floridas e isso era um bom sinal para beija-flores. Fiz então uma rápida busca e não demorou muito para encontrarmos nosso primeiro beija-flor-de-gravata-verde. Eles não deram aquele mole de costume, mas conseguimos algumas fotografias. Após algum tempo caminhando pela trilha, encontramos novamente com  rabo-mole-da-serra, que deu um espetáculo. Utilizando os poleiros mais bonitos, canelas-de-ema e os afloramentos quartzíticos do Espinhaço.

 

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Naquele momento em diante a busca era pelo difícil lenheiro-da-serra-do-cipó, que geralmente é o endêmico que mais dificulta. No primeiro ponto possível de localizá-lo, fizemos uma parada e comecei a tentar atraí-lo. Um indivíduo respondeu quase imediatamente, porém no alto da serra e certamente esse não iria descer. Sem resposta de outro, segui caminhando e após alguns metros escutei uma reposta naquele ponto inicial. Voltei rapidamente e apontei para o local, mostrando onde o grupo deveria procurá-lo. Quando cheguei tentei preparar o cenário e escolhi um bom local para fotografá-lo. Não precisamos esperar muito e o passarinho pousou exatamente onde queria, possibilitando excelentes imagens. Missão endêmicos atingida com sucesso!

 

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Na volta ainda encontramos com o belíssimo tico-tico-do-banhado, que era lifer para o José Luiz, que não perdeu a oportunidade. Ainda pelo caminho, encontramos com mais endemismos do Espinhaço, mas dessa vez não era passarinho. Fizemos boas fotos da rãnzinha e do lagartinho-de-crista-do-espinhaço.

 

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Por último a grande surpresa do dia voltou a ser o pedreiro-do-espinhaço, só que dessa vez em atividade de nidificação, um raríssimo registro dessa espécie que foi descrita apenas em 2012. Agradeço demais aos cientes que permitiram que eu gastasse um tempo ali para conseguir um registro em vídeo de um dos indivíduos se aproximando e entrando no ninho. Importante ressaltar que mantivemos distância do ninho e que a filmagem foi feita com lentes longas e remotamente. Veja as imagens abaixo:

 

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Encerramos nossa manhã com resultados melhores do que os esperados e com todos os endêmicos registrados. Fizemos então uma merecida parada para o almoço e um breve descanso. Muito boa essa sensação de dever cumprido, com clientes satisfeitos com suas imagens e comemorando muito! Esse é o real pagamento para todo o esforço dos guias de observação de natureza.

 

Após o almoço pegamos estrada para voltarmos para Serra do Cipó mas, no caminho de volta, fizemos uma parada que rendeu mais alguns lifers para todos e alguns bastante importantes. O primeiro deles foi o bonito tico-tico-de-bico-amarelo, seguido do não muito comum na região, papa-capim-de-costas-cinzas. Enquanto buscávamos outras espécies, somos surpreendidos por um jovem de águia-serrana passando sobre nós. Naquele mesmo local avistamos também a interessantíssima bichoitabandoleta e novamente o suiriri-cinzento.

 

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O dia ainda não havia terminado e as poucas horas de luz que nos restavam ainda foram importantes para fotografarmos mais duas espécies muito desejadas, o rapazinho-dos-velhos e um casal de choca-do-nordeste. Dia finalizado com excelentes resultados, não só pelos lifers mas principalmente pela qualidade das imagens produzidas.

 

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A manhã do último dia estava reservada para o Parque Nacional da Serra do Cipó e chegando lá encontramos uma linda paisagem, também caprichada pela chuva que se repetiu a noite. Logo no início já fomos conseguindo alguns registros importantes, como o sebinho-de-olho-de-ouro, a patativa e o batuqueiro.

 

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Quando entramos na parte da trilha que passa pela mata ciliar do Rio Cipó, a lista foi só aumentando. Avistamos e fotografamos muitas espécies legais, destaque para o bico-virado-carijó, canário-do-mato, um casal de soldadinho e uma belíssima guaracava-cinzenta.

 

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A mata estava muito agitada, muitas espécies vocalizando e nos surpreendendo com tamanha facilidade de fotografar. Uma delas foi a pipira-da-taoca, que geralmente aparece alto na copa, nos presenteou a cerca de 1 metro do chão e muito mansa. Não menos arisca, a maria-ferrugem apareceu duas vezes e na segunda também bastante baixo no sub-bosque. Conseguimos também o chorozinho-de-chapéu-preto.

 

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Bem às margens do Rio Cipó, após muita insistência e paciência do grupo, conseguimos também registrar o casaca-de-couro-amarelo e o cisqueiro-do-rio.

 

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Encerramos nossa tour fazendo aquela visita obrigatória ao Juquinha e no caminho ainda pegamos uns bichinhos dando sopa, como o tico-tico e o campainha-azul. Para nossa surpresa, um adulto de águia-chilena também apareceu e passou dando um rasante a 5 metros de nós, quase matando todo mundo do coração. Não bastasse o espetáculo, ainda estava com uma presa nas patas.

 

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Na volta ainda deu tempo de curtir um pouco das belíssimas paisagens da Serra do Cipó, se valores ambientais e históricos inestimáveis.

 

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Encerramos nossa viagem com uma lista de mais de 130 espécies registradas e muitos lifers para todos. Além disso, impressionou a qualidade da imagens geradas, mostrando que a primavera desse ano vai vir com tudo. As primeiras chuvas, que vieram bem cedo esse ano, já estão deixando os roteiros bem mais movimentados. Vamo que vamo!!!

 

Preciso agradecer a turma do COA Juiz de Fora pela visita e confiança em meu trabalho. Foi uma viagem memorável, com muito passarinho, prosa e boas risadas. Certamente esses chegaram clientes e se tornaram grande amigos!

 

Um grande abraço a todos,

 

EDU FRANCO

  • Posted by Eduardo Franco
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