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Relatos ilustrados de nossos roteiros

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July11

BIRDING TRIP | Serra do Espinhaço 06-08/jul

 

 

Cortando mais de 1000 quilômetros entre Minas Gerais e Bahia, a Serra do Espinhaço é a única cordilheira do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos. Abrigando paisagens deslumbrantes e biodiversidade riquíssima, é certamente um dos melhores destinos para turismo de natureza do mundo. Nessa expedição visitaremos a porção Sul da cordilheira, principalmente as Serras da Moeda e do Cipó. A Serra da Moeda está localizada no Quadrilátero Ferrífero. Possuindo Unidades de Conservação, como o Monumento Natural da Serra da Calçada, configura-se como uma importante área para a conservação da flora e fauna. A Serra do Cipó é protegida por importantes reservas, como a APA Morro da Pedreira e o Parque Nacional da Serra do Cipó. A altitude de ambas porções serranas varia de 700 a 1600 metros e a vegetação acima de 1000 metros é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente as Serras da Moeda e do Cipó são destinos procurados por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza

 

Nos dias 06 a 08 de julho recebemos o casal de observadores de aves Acácio e Melissa em mais uma birding trip pela porção Sul da Cadeia do Espinhaço.

 

Iniciamos nossa birding trip visitando o Monumento Natural da Serra da Calçada, unidade de conservação estadual localizada no trecho inicial da Serra da Moeda, mais especificamente nos municípios de Brumadinho e Nova Lima. A paisagem é principalmente composta por cerrados e campos rupestres ferruginosos. Nele podemos observar espécies de aves bem características desse tipo de ambiente e o primeiro que encontramos foi o belíssimo rabo-mole-da-serra. Outra espécie que apareceu, após dar um certo trabalho para encontrar, foi o tapaculo-de-colarinho, que nos despistava com as alterações de intensidade de sua vocalização até que resolveu sair do meio dos emaranhados da vegetação. Avistamos mais algumas espécies, mas nada de muito destaque. A bicharada estava bem quieta e decidimos então antecipamos nossa programação e pegamos estrada para o distrito de Serra do Cipó, em Santana do Riacho/MG.

 

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No caminho precisamos fazer uma parada na Decathlon para comprar alguns itens faltantes e pegamos um certo trânsito, pois era final de expediente para a maioria das pessoas por conta do jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo. Quando finalmente conseguimos chegar já fizemos uma parada para o almoço. Enquanto isso também conseguimos assistir ao primeiro tempo da partida, mas o resultado… bem, era hora de voltar aos passarinhos. Por ali muito silêncio também. Pouca atividade dificultou encontrarmos muitas aves, mas antes de retornarmos encontramos um bando com várias espécies das quais destaco a cigarra-do-campo e o campainha-azul. Voltamos para a pousada, recebemos a notícia da eliminação da seleção brasileira :( e fizemos um rápido lanche antes de nos recolhermos para descansar para o próximo dia.

 

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O relógio marcava 05h00 e já estávamos dentro do carro rumo ao distrito de Lapinha da Serra para o dia da busca pelos endêmicos do Espinhaço. Fizemos um rápido café-do-manhã improvisado e iniciamos a trilha. O primeiro grande objetivo foi o lenheiro-da-serra-do-cipó, arredia espécie que vive se locomovendo entre os espaços do acidentado terreno dos afloramentos quartzíticos. Vez ou outra ela se mostra, erguendo-se em um dos palcos rochosos cobertos por musgos e líquens, para vocalizar e defender seu território. Iniciamos a busca com paciência, reproduzindo o playback (gravação digital de sua vocalização) calmamente e aguardando uma resposta, que veio após alguns minutos. Tentamos nos aproximar do ponto onde o som veio para aguardar a próxima exibição. Não demorou muito e percebemos que tratava-se de dois indivíduos, talvez um casal, se revezando na defesa. Em uma das poucas chances que tivemos, conseguimos documentar com algumas poucas fotografias. Dedicamos cerca de 02h a essa espécie até que decidimos seguir na trilha e busca do próximo mas, no meio do caminho, encontramos dois indivíduos de ranzinha-do-espinhaço, curioso anfíbio que se camufla nas rochas onde vive.

 

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O próximo objetivo era o querido “augustinho”, famoso indivíduo macho de beija-flor-de-gravata-verde que recebe minha visita há mais de dois anos e se tornou um símbolo desse roteiro. Sempre muito manso e amigável com os birders que conduzo, o bichinho rende excelentes imagens e uma experiência incrível, em meio a uma das mais bonitas paisagens da região. Chegamos ao local e havia uma linda floração de Lippia sp., espécie muito apreciada pelo beija-flor. Entretanto, demorou bastante para o “augustinho” dar sinal e então resolvi usar o playback, mesmo sabendo que geralmente não funciona muito. Bem, dessa vez funcionou e o bichinho saiu de um arbusto há poucos metros de mim. A partir dali foi a tradicional festa, com inúmeras chances de se aproximar e fotografar o pequenino passarinho. Uma curiosidade dessa vez é que observamos por várias vezes uma fêmea da espécie forrageando dentro do território do macho, algo que não havia observado antes, já que as fêmeas sempre permaneciam distantes. Fica a torcida para que nidifiquem por ali.

 

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Após mais uma overdose de “augustinho” retornamos para a trilha em direção ao carro. Fizemos uma parada no povoado de Lapinha para almoçar a deliciosa comida mineira do restaurante dos queridos amigos Marquinho e Alice. Aproveitamos o forte calor, estranho para a época, para descansar um pouco e então seguimos em busca do terceiro e último grande objetivo do dia, o pedreiro-do-espinhaço. Bem, esse costuma ser bem mais fácil e não foi diferente. Apareceu e sentou no mesmo poleiro de costume, permitindo ótima aproximação e rendendo ótimas fotografias. Sentou também em uma cerca, que a Melissa aproveitou muito bem. Objetivos atingidos era hora de retornar para o distrito de Serra do Cipó. Ainda restava algum tempo antes de anoitecer e fizemos uma rápida tentativa de encontrar a choca-do-nordeste e o rapazinho-dos-velhos, mas sem sucesso. Bem, nada restava mais a fazer além de retornar para a pousada e descansar para a última manhã da viagem.

 

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Na última manhã visitamos o Parque Nacional da Serra do Cipó, em Jaboticatubas/MG, onde conseguimos registrar mais algumas espécies novas para a lista da Melissa. Cm s passarinhos um pouco mais ativos, foi possível fotografar o choró-boi, o batuqueiro, pica-pau-pequeno e pica-pau-de-topete-vermelho, maitaca entre outros.

 

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Ainda antes de encerrar o roteiro, retornamos no ponto da choca-do-nordeste e, desta vez, com sucesso. Conseguimos avistar e fotografar um belo macho da espécie. Também conseguimos avistar um rapazinho-dos-velhos, mas esse ficou muito longe e não deu muita chance.

 

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Encerramos a viagem com mais de 100 espécies registradas e várias delas muito bem documentadas. Apesar de ainda estarmos em uma das piores estações para observar aves, atingimos os principais resultados encontrando bem todos os endêmicos. Agradecemos todos os nossos parceiros e nossos clientes pela confiança em nosso trabalho.

 

Grande abraço,

 

EDU FRANCO

 

  • Posted by Eduardo Franco
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