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May23

BIRDING TRIP | Endêmicos no Cipó

 

 

Cortando mais de 1000 quilômetros em Minas Gerais e Bahia, a Serra do Espinhaço é a única cordilheira do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos do mundo. Abrigando paisagens deslumbrantes e biodiversidade riquíssima, o Espinhaço é certamente um dos melhores destinos para observação e fotografia de natureza do mundo. Nessa expedição visitamos a porção Sul da cordilheira, principalmente a Serra do Cipó. A Serra do Cipó é protegida por importantes reservas, como a APA Morro da Pedreira e o Parque Nacional da Serra do Cipó. A altitude das porções serranas varia de 700 a 1600 metros e a vegetação acima de 1000 metros é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente a Serra do Cipó é destino procurado por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza.

 

Nos dias 19 a 21 de abril de 2018 recebemos os fotógrafos de aves Sérgio Gregório e Ester Ramirez, que atualmente ocupam, respectivamente o 24º e 1º lugares em espécies brasileiras fotografadas de acordo com  ranking mantido pelo Wiki Aves. O objetivo era simples e claro: conseguir avistar e fotografar os 3 mais importantes endêmicos que ocorrem na região, lenheiro-da-serra-do-cipó, pedreiro-do-espinhaço e o mais desejado, o beija-flor-de-gravata-verde.

 

DIA 01. O trabalho do guia de turismo especializado em observação de aves nunca é fácil. Encontrar espécies em campo e colocar os clientes em condição de fazer boas fotografias é tarefa desafiadora em todas as viagens. Nessa viagem o desafio foi ainda maior, pois os objetivos eram bastante específicos e os clientes eram dois dos mais importantes fotógrafos de aves do país. Bem, a ansiedade para a viagem já durava dias, mas na véspera foi difícil pregar os olhos. Sai de casa no início da madrugada e as 04h da manhã me encontrei com Ester e Sérgio no hotel em que eles pernoitaram. Seguimos direto para a Serra do Cipó, onde fizemos uma rápida parada para o café-da-manhã. Chegamos então em um dos pontos que planejei, querendo aproveitar o final da floração das arnicas-do-campo. Não precisou de muito tempo e já encontramos o primeiro beija-flor-de-gravata-verde. Conseguimos algumas imagens, reduzindo então a ansiedade de avistar o bichinho.

 

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Entretanto ele não ficou por ali muito tempo. Como eram poucas as flores disponíveis, ele estava voando para longe e demorando a voltar e isso faria com que a gente perdesse um valioso tempo, afinal seriam apenas 3 dias em campo para conseguir a diversidade de boas imagens que buscávamos. Tomei então a decisão de partirmos para outro distrito, Lapinha da Serra, casa do Augustinho (apelido carinhoso de um individuo de beija-flor-de-gravata-verde muito manso e com território fixo). Fizemos uma breve parada para almoçar e dar entrada na pousada em que ficaríamos, a bonita Pousada DuBreu, onde sempre sou muito bem atendido. Não havia muito tempo a perder e logo saímos para outra localidade.

 

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No caminho em direção ao Augustinho, fiz uma tentativa de atrair o lenheiro-da-serra-do-cipó, que acabou respondendo. Como de costume, ele não facilitou muito, se esgueirando por entre as falhas dos afloramentos rochosos e, raramente, aparecendo em uma das pontas das pedras quartzíticas que cobrem a região. Sem muito tempo para perder, não pensamos duas vezes e começamos a subir pedra atrás de pedra, perseguindo a pequena ave que insistia em não aparecer. Quando chegamos bem perto do pequenino, a Ester antecipando os problemas, colocou o conversor na sua lente e ligou  flash externo, já que o bicho estava fugindo e a luz estava em posição ruim. Sábia decisão. Poucos segundos antes de eu a ajudar a montar o novo set, o bicho apareceu em uma das pedras para vocalizar, o que foi suficiente para duas fotografias.

 

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Insisti por alguns minutos, tentando conseguir outras chances, mas o tempo passava rápido e queríamos ainda chegar até o beija-flor-de-gravata-verde, a tempo de fazer mais algumas imagens. Mais que fotografar, meu objetivo era que Sérgio e Ester entendessem o ambiente e o comportamento do bicho, visando uma melhor preparação para o segundo dia. Logo quando pisei no local o Augustinho já foi aparecendo, dando o show costumeiro. A luz foi se alterando e algumas boas fotos foram aparecendo, com aquele Sol que só o Espinhaço tem.

 

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Nenhuma das imagens foi exatamente aquela que queríamos, com a gravata bem iluminada e a iridescência evidente, mas o objetivo de aprender a lidar com o beija-flor e saber que equipamento seria melhor foi atingido. Retornamos para a pousada sendo premiados por um belíssimo pôr-do-Sol. Fizemos uma pequena compra e preparamos um jantar improvisado, já que o local tem serviço bastante restrito durante a semana.

 

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DIA 02. Levantamos cedo, preparamos nosso café-da-manhã e voltamos até o ponto do beija-flor. A ideia era permanecer por ali o dia todo, aproveitando todas as chances que a luz e o passarinho nos dessem. Assim foi, ficamos um dia inteiro clicando  bicho de todas as formas possíveis. As primeiras boas imagens foram logo aparecendo.

 

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Algumas nuvens ajudaram bastante, permanecendo em cima de nós por quase toda a manhã. Já por volta das 11h, aquelas imagens que tanto buscávamos começaram a surgir. Nesse horário o beija-flor costuma ficar por longos períodos parado em um mesmo poleiro e, antes de levantar voo novamente, ele dá uma espreguiçada, e esse é um dos melhores momentos para registrar todas as cores dessa espécie incrível. Quando olhamos o LCD da câmera e percebemos que as imagens tão desejadas estavam aparecendo, foi uma grande comemoração.

 

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Isso aliviou bastante a pressão e agora estávamos todos mais leves, o que ajudou bastante também para as próximas imagens. O Augustinho não decepcionou, e vou dando cada vez mais chances, que aproveitamos bem. Em um desses momentos, acabei escutando uma vocalização que me chamou a atenção. Tive uma suspeita, mas apenas quando após alguns minutos ouvi novamente, tive certeza de se tratar do tapaculo-serrano. Enquanto eles continuavam a clicar o beija-flor eu fui tentar avistar essa ave tão difícil de se achar. Rapaz, precisei subir, subir, subir e subir mais um pouco. Quando cheguei próximo de uma cachoeira, percebi que era ali que ele estava. Fiz uma pausa para respirar (estava difícil segurar a câmera) e tentei atrair o tapaculo. Rapidamente – e surpreendentemente, ele apareceu e deu um show! Algo bem raro para a espécie. Consegui boas imagens do bichinho.

 

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Até tentei levar a Ester e  Sérgio ao local, mas ele já não apareceu mais. Fizemos então um pequeno intervalo para um lanche e um descanso, ali em campo mesmo, antes de voltar a mais uma sessão overdose de beija-flor. A tarde procuramos conseguir imagens diferentes, mostrando alimentação, por exemplo. Conseguimos também a oportunidade de fotografá-lo em cima de uma rocha.

 

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Dessa vez, antes de anoitecer, retornamos para a pousada para nos prepararmos para o próximo dia. Porém, no caminho, fizemos uma tentativa de registrar o terceiro objetivo da viagem, o pedreiro-do-espinhaço, que até apareceu mas a pouca luz não rendeu boas fotos. Encerramos então o segundo dia, já bem satisfeitos com os resultados obtidos.

 

DIA 03. No último dia acordamos ainda mais cedo, mas o clima não ajudou muito. Frio e vento prejudicaram bastante e, principalmente, afastaram as tão valiosas nuvens que nos ajudam bastante na fotografia. Ainda bem cedo o céu já estava bem limpo. Enquanto o beija-flor não rendia as imagens que queríamos, fomos premiados com duas espécies bem legais, o pica-pau-chorão e o capacetinho-do-oco-do-pau.

 

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Quando tivemos algumas chances, aproveitamos e fizemos mais alguns retratos do beija-flor, que mesmo em condições ruins, rende belíssimas imagens.

 

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Dessa vez retornamos mais cedo, pois ainda teríamos que buscar uma boa foto do pedreiro. Dessa vez ele não decepcionou, apesar de ter levado um tempinho para ficar quieto em um ponto. Gastamos ali algumas horinhas até conseguir boas fotos.

 

 

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Essa foi uma viagem muito legal de conduzir. Primeiramente, pois pude aprender muito junto desses dois craques da fotografia de aves no Brasil. Segundo por poder consolidar uma amizade muito legal com eles, que já fazem parte das pessoas as quais tive o prazer de conhecer por conta da observação de aves. Fico feliz por poder fazer parte da brilhante história da Ester na sua busca por imagens incríveis da nossa avifauna. Sua dedicação e positividade são marcantes e contaminam todos que estão a sua volta.

 

Um grande abraço e até a próxima,

 

EDUARDO FRANCO

 

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  • Posted by Eduardo Franco
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