BLOG

Relatos ilustrados de nossos roteiros

Você esta aqui:

February20

BIRDING TRIP | Serra do Cipó

 

 

Cortando mais de 1000 quilômetros em Minas Gerais e Bahia, a Serra do Espinhaço é a única cordilheira do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos do mundo. Abrigando paisagens deslumbrantes e biodiversidade riquíssima, o Espinhaço é certamente um dos melhores destinos para observação e fotografia de natureza do mundo. Nessa expedição visitamos a porção Sul da cordilheira, principalmente a Serra do Cipó. A Serra do Cipó é protegida por importantes reservas, como a APA Morro da Pedreira e o Parque Nacional da Serra do Cipó. A altitude das porções serranas varia de 700 a 1600 metros e a vegetação acima de 1000 metros é caracterizada pelos campos rupestres e de altitude, possuindo ambientes típicos de Cerrado e Mata Atlântica em suas faces. Atualmente a Serra do Cipó é destino procurado por turistas das mais variadas modalidades, geralmente atraídos por esportes de aventura e turismo de natureza.

 

Nos dias 12 a 15 de fevereiro de 2018 recebemos a observadora e fotógrafa de aves Ligia Rodrigues para um roteiro pela Serra do Cipó, sendo sua segunda viagem com a Destinos MG, dessa vez em busca de espécies do Cerrado

 

DIA 01. Chegamos à Serra do Cipó já no meio da tarde, mas conseguimos aproveitar pelo menos umas duas horas para passarinhar no entorno da pousada. Logo de cara avistamos um macho de pica-pau-chorão, que infelizmente não deu nenhuma chance para fotografia, o que também aconteceu com um sebinho-de-olho-de-ouro. Ambos não deram a menor importância para o playback, o que é perfeitamente normal daqui para frente, já que a maioria das espécies estão entrando no período de descanso reprodutivo. O suiriri-cinzento apareceu e a história se repetiu, sem nenhuma chance de fotografia. Já o campainha-azul, apareceu vocalizando no alto de um arbusto seco e por lá permaneceu por alguns preciosos minutos, finalmente inaugurando a lista de lifers da viagem.

 

2018.02.12_001

 

Pouco mais a frente conseguimos encontrar o bacurauzinho, que não demos muita importância, pois aquele não era melhor horário para clica-lo pousado no solo, algo que iríamos fazer nos próximos dias. Enquanto isso, avistamos um macho de chifre-de-ouro que rapidamente sumiu da área, afugentado por um macho de beija-flor-de-gravata-verde, que então nos deu algumas boas chances de foto, pousado e em voo, enquanto de alimentava do néctar das flores da arnica-do-campo.

 

2018.02.12_002

 

A luz natural já estava quase se esgotando quando uma guaracava-modesta apareceu e permitiu boa aproximação, encerrando nosso dia com alguns bons registros. Retornamos para a pousada e fomos descansar para o próximo dia.

 

 

DIA 02. No segundo dia saímos bem cedo da pousada e seguimos rumo o distrito de Lapinha da Serra, em busca de mais lifers, principalmente os endêmicos lenheiro-da-serra-do-cipó e pedreiro-do-espinhaço. Entretanto, no caminho até lá, já conseguimos registrar alguns passarinhos bem interessantes, como o arapaçu-de-cerrado, bico-de-veludo, guaracava-de-topete-uniforme e suiriri-cinzento, sendo essas duas últimas lifers para a Ligia. Entrando na trilha dos endêmicos, assim que saímos do carro demos de cara com uma imensa águia-serrana em busca de alimento. Ela se aproximou bem o que garantiu excelentes fotografias.

 

2018.02.12_004 2018.02.12_005 2018.02.12_006 2018.02.12_007 2018.02.12_008 2018.02.12_009 2018.02.12_010

 

A partir dali focamos nossas atenções nas espécies endêmicas, passando rapidamente pelas trilhas até chegar nos pontos conhecidos de ocorrência. Entretanto, no caminho, várias flores chamaram nossa atenção e é impossível ignorá-las, principalmente as canelas-de-ema, que são especialmente interessantes.

 

2018.02.12_021 2018.02.12_022 2018.02.12_023

 

Finalmente chegamos no local de ocorrência do beija-flor-de-gravata-verde, mais especificamente do “augustinho”, aquele famoso indivíduo que é bastante manso. Estava voltando naquele local após um longo período, pois eu preferi deixar o local descansar após o grande incêndio que destruiu a vegetação. Parece que valeu a pena. Cheguei lá e me emocionei vendo a ambiente todo verdinho novamente e observei muitas flores disponíveis. Além do “augustinho”, consegui perceber outros dois indivíduos com territórios fixados. Dali em diante foi só esperar para garantir várias excelentes fotografias da espécie, que chega a deixar se tocar de tão mansa.

 

2018.02.12_0152018.02.12_012 2018.02.12_011

 

Enquanto a Lígia clicava o beija-flor eu fui em busca dos outros dois endêmicos. Acabei encontrando um indivíduo do lenheiro-da-serra-do-cipó, que após muito trabalho e insistência, rendeu as imagens que precisávamos. Já o pedreiro-do-espinhaço não apareceu e precisamos deixar ele para o turno da tarde.

 

2018.02.12_0142018.02.12_013

 

Paramos para almoçar e fizemos um breve descanso, já que a trilha da manhã havia sido bastante pesada. Seguimos então em busca do pedreiro, que também não facilitou em nada. Passei por uns dois pontos em que sempre o via e nem sinal. Deixei a Lígia descansando em uma sombra ( o Sol estava castigando) e fui atrás do bicho. Após alguma insistência, finalmente um deles respondeu ao playback. Fui atrás da Lígia e levei ela até o bicho, que ajudou e se aproximou também, e como se aproximou… sentamos no chão e ele ficou forrageando em volta de nós, a uma distância de menos de um metro em alguns momentos. Baita recompensa após tanta busca. Antes de retornar para a pousada, ainda conseguimos registrar um belíssimo batuqueiro, em um dos mirantes da Serra do Cipó.

 

2018.02.12_016 2018.02.12_017 2018.02.12_0182018.02.12_019

 

DIA 03. No terceiro dia visitamos o Parque Nacional da Serra do Cipó e logo de cara já encontramos um choró-boi e um tico-tico-rei-cinza, duas espécies muito bonitas.

 

2018.02.12_026 2018.02.12_027 2018.02.12_028

 

Quando entramos na mata ciliar do Rio Cipó encontramos a trilha alagada, por conta das cheias resultado das fortes chuvas que caíram na região. Entretanto, conseguimos ainda registrar algumas espécies bem interessantes como o balança-rabo-de-máscara, o chorozinho-de-chapéu-preto e um macho de tangarazinho que deu um mole incrível.

 

2018.02.12_029 2018.02.12_030 2018.02.12_031

 

Demos a volta pelo o outro lado da trilha, para conseguir acessar novamente a mata e acabamos sendo premiados com mais alguns registros excelentes, destaque para a rolinha fogo-apagou e um macho de curió, que se aproximou bastante. Encontrar essa espécie na natureza é sempre uma grande alegria, sobretudo aqui em Minas Gerais onde a espécie continua sendo brutalmente arrancada da natureza para alimentar o tráfico de animais silvestres. Logo depois retornamos para o carro e fizemos uma parada para o almoço.

 

2018.02.12_032 2018.02.12_033

 

Após um breve descanso, visitamos mais dois pontos dentro do Distrito de Serra do Cipó e na Região do Alto do Palácio, onde encontramos a belíssima choca-do-nordeste, o rapazinho-dos-velhos e uma dupla de tico-tico-do-banhado. Encerramos a passarinhada na estátua do juquinha, onde fizemos um lanche e curtimos uma das incríveis paisagens do campo rupestre ao pôr-do-sol.

 

2018.02.12_034 2018.02.12_035 2018.02.12_036 2018.02.12_037

 

DIA 04. Havia muito pouco tempo disponível no último dia, já que o voo de volta estava agendado para o horário do almoço, e por isso acordamos ainda de madrugada para buscar um dos grandes objetivos da Lígia, a coruja caburé. Chegamos ao local e em alguns minutos a pequena ave respondeu ao playback. A partir dali iniciamos uma longa busca por cerca de 02h até conseguir encontrá-la em um poleiro que fosse possível fazer as fotos. No caminho de volta ainda conseguimos encontrar o ameaçado de extinção capacetinho-do-oco-do-pau.

 

2018.02.12_0382018.02.12_039

 

Voltamos para a pousada e tomamos o café-da-manhã rapidamente, para ainda ir buscar mais alguns lifers. O primeiro deles foi a cigarra-do-campo, que apareceu rapidamente atraída pelo playback. Após ela iniciamos a procura pelo bacurauzinho, que levou 01h até conseguirmos uma boa chance de fotografá-lo no chão e em boa luz. Já estávamos no limite do tempo e então só restava retornar a pousada e nos preparar para encerrarmos a viagem.

 

2018.02.12_040 2018.02.12_0412018.02.12_043

 

Encerramos nosso roteiro com aproximadamente 130 espécies de aves registradas, sendo que mais de 20 foram novidades para a lista da Lígia. Confira a lista completa clicando aqui. Agradecemos nossos parceiros e amigos pelo apoio de sempre e a nossa cliente pela confiança em nosso trabalho.

 

Grande abraço

 

EDU FRANCO

 

  • Posted by Eduardo Franco
  • 6 Tags
  • 0 Comments
COMMENTS