BLOG

Relatos ilustrados de nossos roteiros

Você esta aqui:

February12

BIRDING TRIP | Santuário do Caraça

 

 

Cortando mais de 1000 quilômetros em Minas Gerais e Bahia, a Serra do Espinhaço é a única cordilheira do Brasil. Coberta por Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, o Espinhaço é também um dos maiores centros de endemismos do mundo. Abrigando paisagens deslumbrantes e biodiversidade riquíssima, o Espinhaço é certamente um dos melhores destinos para observação e fotografia de natureza do mundo. Nessa expedição visitaremos a porção Sul da cordilheira, mais especificamente a Serra do Caraça, que está inserida no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais. O Complexo Santuário do Caraça é o conjunto de toda a propriedade de 11.233 hectares, onde estão localizados o Conjunto Arquitetônico do Santuário, a área da RPPN (área de 10.187 ha), e partes identificadas pela proprietária como áreas de manejo. No Conjunto Arquitetônico estão a igreja neogótica, o prédio do antigo colégio (hoje museu e biblioteca) e a pousada. Na área de manejo estão localizadas a Fazenda do Engenho, o Buraco da Boiada, a Fazenda do Capivari.

 

Nos dias 05 a 08 de fevereiro de 2018 recebemos a observadora e fotógrafa de aves Ligia Rodrigues, seu marido Odiombar e seu filho Márcio, para uma birding trip na Serra do Caraça.

 

DIA 01 – Embaixo de muita chuva, chegamos ao Santuário do Caraça por volta das 12h e fomos direto para o almoço. A previsão de tempo para os 4 dias que ficaríamos era bem ruim, marcando 80, 90% de chance de chuva para o período. Após fazer o check-in e descarregar as bagagens, tentamos uma passarinhada no entorno do complexo histórico, durante as brechas que a chuva nos dava. Nesse tempo conseguimos clicar algumas poucas espécies, como o joão-de-barro e o bentevizinho-de-asa-ferrugínea, que deu um espetáculo, exibindo por diversas vezes seu display territorial. Ainda avistamos o teque-teque e a cigarra-bambu, que renderam algumas poucas imagens. A chuva voltou forte e retornamos para o jantar. Após a refeição, como já é tradição no Caraça, era a Hora do Lobo. Momento este em que os visitantes se acomodam em frente à Igreja e aguardam pela vinda do lobo-guará, que é atraído com uma bandeja de alimento (geralmente frango). Porém, com a forte chuva que caia, o animal dificilmente apareceria. Inclusive fomos informados que já fazia alguns dias que ele não aparecia. Sem muita opção, nos recolhemos para dormir.

 

2018.02.05_001 2018.02.05_002

 

DIA 02 – No segundo dia acordamos de madrugada, para tentar avistar o lobo ou algum outro mamífero que poderia ser atraído pela comida oferecida. Nada apareceu, a não ser a chuva que teimava em cair. Tomamos nosso café-da-manhã e depois tentamos fazer uma trilha, ainda embaixo de muita água. Acabamos sendo premiados com algumas espécies e lifers. Apareceram a tietinga, o picapauzinho-barrado e a saíra-douradinha, mesmo que não sendo possível fazer imagens muito boas.

 

2018.02.05_003 2018.02.05_004 2018.02.05_0052018.02.05_006 2018.02.05_007 2018.02.05_008

 

Fizemos uma parada para o almoço e a tarde seguimos para outra trilha, desta vez buscando espécies de campo-rupestre. Logo que chegamos um dos objetivos foi dando as caras, o bonito rabo-mole-da-serra. Enquanto fotografávamos ele, outro alvo apareceu, o endêmico (só corre na Serra do Espinhaço) beija-flor-de-gravata-verde. Ficamos ali um bom tempo, fotografando a pequena avezinha, que acabou não rendendo boas imagens, por conta do mal tempo. Uma grande surpresa foi o avistamento de dois indivíduos de tesourinha-da-mata, belíssima e incomum ave que habita a mata atlântica. Infelizmente foi rápido e não conseguimos fotografar.

 

2018.02.05_009

 

Na volta da trilha, aproveitamos a melhora climática e paramos em alguns pontos para tentar melhorar as imagens capturadas no dia anterior e a saíra-douradinha e a cigarra-bambu voltaram a aparecer e, dessa vez, foi possível melhorar bastante os registros. Apareceram também tangará e o bentevizinho-de-penacho-vermelho.

 

2018.02.05_012 2018.02.05_011 2018.02.05_013

 

Seguimos então o mesmo ritual, jantamos e aguardamos o lobo-guará. Sem chuva, dessa vez, o que aumentava a expectativa. Lá pelas 21h as pessoas foram se recolhendo, chateados pela ausência do canídeo. Quando o relógio marcou 21h45, eu estava sozinho e fui presenteado com a aparição de 2 cachorros-do-mato, que renderam boas fotografias. Fui dormir e eles continuaram lá, no estacionamento do Caraça.

 

2018.02.05_014

 

DIA 03 – Assim como na primeira noite, voltamos a levantar de por volta das 05h e os cachorros-do-mato estavam exatamente no mesmo local, o que foi ótimo, pois assim a Lígia e o Márcio puderam fotografá-los. Nenhum outro mamífero além deles. Ficamos clicando os jacuguaçus e sabiás-laranjeiras até chegar a hora do almoço. A chuva finalmente havia dado uma trégua e decidimos então retornar aos campos rupestres, para melhorar tentar melhorar s registros do beija-flor-de-gravata-verde. Dessa vez o tempo ajudou, mas bichinho estava tímido. Porém, outro lifer apareceu, o pequenino papa-moscas-de-costas-cinzentas.

 

2018.02.05_016 2018.02.05_015 2018.02.05_017 2018.02.05_018

 

Aproveitamos o restante da manhã para ir atrás dos guigós, macacos bastante comuns no Caraça. Eles não apareceram, mas encontramos espécies interessantes e alguns lifers, como o fruxu, joão-teneném, e papa-taoca-do-sul.

 

2018.02.05_019 2018.02.05_020 2018.02.05_021

 

Após o almoço partimos atrás do inquieto formigueiro-da-serra, que deu um trabalhão danado, mas acabou permitindo alguns cliques. Antes de seguir para o jantar, alguns cliques no gibão-de-couro, figura sempre presente no entorno do santuário. O tempo ajudou, nada de chuva, mas naquela noite o lobo-guará também não apareceu.

 

2018.02.05_022 2018.02.05_023 2018.02.05_024

 

DIA 04 – No último dia teríamos apenas a manhã disponível para tentarmos encontrar mais espécies novas para as listas pessoais de nossos clientes. Parece que as maiores surpresas estavam guardadas para o final e, logo pela manhã, as emoções foram fortes. Era 06h quando eu me preparava para ir para campo e escuto uma voz na porta chamando pelo meu nome. Quando atendi, um dos monitores me explicavam algo, mas a única palavra que minha mente entendeu foi “anta”. Imediatamente coloquei a roupa, pequei o equipamento e sai disparado para fora, quando me deparei com a Ligia clicando um incrível macho de anta, se alimentando do frango deixado na porta da igreja. Isso mesmo, a anta estava comendo frango e, de acordo com o que se tem notícia, esses registros do Caraça são inéditos em relação à dieta dessa espécie, que até então era considerada estritamente herbívora. O bicho comeu por mais alguns minutos e saiu. Dei a volta no santuário e ainda consegui fazer alguns cliques em ambiente mais interessante, mais natural. Emoção demais estar tão perto desse que é o maior mamífero brasileiro.

 

2018.02.05_025

 

Ainda sem acreditar naquilo, acabei de me arrumar e seguimos para o café-da-manhã. Aproveitamos o bom tempo e fomos atrás novamente dos macacos guigós. No caminho, conseguimos boas imagens do carcará, do lifer arapaçu-grande e, então, finalmente conseguimos localizar os macacos. Eram pelo menos 3 grupos que ficaram bem próximos por alguns minutos. Conseguimos clicar a família inteira, inclusive um macho carregando seu filhote no dorso.

 

2018.02.05_026 2018.02.05_028 2018.02.05_029

 

Logo após, seguimos para uma última tentativa de ver o beija-flor-de-gravata-verde e dessa vez ele até ajudou um pouco. Porém, o grande prêmio foi poder avistar novamente as tesourinhas-da-mata, que dessa vez estavam em um bando maior e deixaram que a gente se aproximasse muito, rendendo excelentes imagens. Que animal lindo!

 

2018.02.05_0102018.02.05_030 2018.02.05_031

 

Encerramos nosso roteiro com aproximadamente 90 espécies de aves registradas, sendo que mais de 10 foram novidades para a lista da Ligia. Confira a lista completa clicando aqui. Agradecemos nossos parceiros e amigos do Santuário do Caraça pelo apoio de sempre e aos nossos clientes pela confiança em nosso trabalho.

 

Um abraço,

 

EDUARDO FRANCO

 

  • Posted by Eduardo Franco
  • 6 Tags
  • 0 Comments
COMMENTS